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Pneus preenchidos com concreto foram lançados no oceano e viraram habitat de peixes

Banda B ·
Pneus preenchidos com concreto foram lançados no oceano e viraram habitat de peixes

Em 1978, o Departamento de Recursos Naturais de Yarmouth, com apoio da Divisão de Pesca Marinha de Massachusetts, nos Estados Unidos, jogou pneus preenchidos com concreto no oceano com o intuito de formar habitats para a vida marinha.

A área escolhida tinha fundo arenoso e pouca estrutura natural para abrigar peixes, lagostas e outros animais marinhos.

Na época, a proposta era usar pneus preenchidos com concreto como módulos pesados, capazes de permanecer fixos no fundo do mar e criar relevo em uma área dominada por areia. Em vez de deixar o local pouco protegido, os pneus amarrados em grupos criaram espaços, frestas e superfícies onde os animais poderiam se esconder, se aproximar e circular com mais segurança.

O projeto foi feito a mais de 2 milhas ao sul da foz do rio Bass, em Nantucket Sound. A lógica era usar os pneus como lastro: presos em grupos de três a cinco unidades com concreto, assim o peso faria com que eles permanecessem estáveis no leito oceânico.

A primeira leva de pneus, com cerca de 1.500 unidades, foi colocada no mar em 1978. Depois, mais mil unidades foram colocadas em 1994.

Ao longo de mais de 40 anos, cientistas monitoraram o local com sonar, mergulho e filmagens subaquáticas para verificar se o material permanecia estável e se realmente cumpria a função de habitat.

Análises feitas entre 2009 e 2010 constataram que os blocos praticamente não haviam se deslocado da área onde foram colocados. Já na análise feita em 2019, pesquisadores viram que, nos pontos com a estrutura artificial, peixes surgiam nas filmagens em cerca de meio minuto, enquanto, em trechos de areia sem nenhuma estrutura, o mesmo processo levava mais de oito minutos.

Um solo arenoso e liso deixa peixes e outros animais expostos a predadores e sem pontos de fixação. Ao introduzir volume e textura no fundo do mar, os blocos de pneu criaram exatamente o que faltava no local, cantos, sombras e frestas.

Registros ao longo dos anos mostraram a presença de robalos-negros, tautogas, linguados e lagostas circulando pela área, além de moluscos como mexilhões e búzios, e até lulas.

Naturalmente, a fauna observada varia de acordo com a época do ano e as condições do momento, mas o padrão indica que a estrutura passou a fazer parte do ecossistema local, e não apenas a ocupar espaço nele.

Apesar do resultado positivo, o caso de Yarmouth não deve ser lido como um convite genérico para despejar lixo no mar. Trata-se de um projeto que só funcionou porque foi planejado, autorizado e acompanhado de perto por especialistas durante décadas.

Iniciativas semelhantes em outras partes do mundo fracassaram justamente por pular essas etapas, materiais mal fixados se soltaram, migraram para áreas indevidas e chegaram a prejudicar ecossistemas naturais em vez de ajudá-los.

A diferença entre um recife artificial bem-sucedido e um passivo ambiental está, essencialmente, no rigor do planejamento e no monitoramento contínuo.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bandab.com.br — o conteúdo pertence a Banda B.

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