Caso Master: PF aponta que grupo de Vorcaro tinha acesso a informações sigilosas do MPF
Documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça mostram que integrante do grupo "A Turma" alegava ter "acesso total e ilimitado" aos sistemas do Ministério Público Federal
De acordo com relatório da PF (Polícia Federal) encaminhado ao STF (Supremo Tribunal Federal), um grupo ligado a Daniel Vorcaro , ex-dono do Banco Master, obteve informações de processos sigilosos do MPF (Ministério Público Federal) através de logins funcionais de servidores do órgão. O documento foi tornado público nesta sexta-feira (11) por decisão do ministro André Mendonça .
Segundo o relatório, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão , o Sicário, atuava como intermediário entre Daniel Vorcaro e sistemas internos do MPF . Após ser preso durante a Operação Compliance Zero, em 4 de março deste ano, Sicário se enforcou na cela da Superintendência da PF de Minas Gerais. Sua morte foi confirmada 2 dias depois. As informações são do Poder 360.
De acordo com a investigação da PF, Sicário gerenciava e fazia a interlocução com o núcleo denominado “A Turma”, estrutura que trabalhava para obter informações sigilosas, monitorar investigações e intimidar pessoas de interesse do grupo . Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, é apontado como o líder operacional do núcleo.
Para financiar diferentes núcleos e beneficiários, a investigação da Polícia Federal alega que empresas ligadas a Daniel Vorcaro repassavam cerca de R$ 1 milhão por mês à King Participações, empresa de Sicário . Deste valor, cerca de R$ 400 mil eram destinados à “Turma”, em um esquema que, além da obtenção de informações sigilosas, envolvia coação e fabricação de dossiês .
Em junho de 2024, Sicário enviou ao ex-dono do Master uma lista com nomes e empresas, informando que Vorcaro poderia acrescentar outros “pra puxar os sigilosos”. Em seguida, a PF diz que Sicário enviou uma imagem com 6 procedimentos sigilosos ligados a Vorcaro . Consultado sobre quais documentos desejava receber, o ex-banqueiro disse: “Todos, obviamente”.
Sicário enviou, assim, 2 arquivos identificados como “GRU-DANIEL.pdf” e “PROCESSO SIGILO 2.pdf”, ambos classificados como reservados; no fim do mesmo mês, Sicário enfatizou: “apaga depois viu”, antes de encaminhar a Daniel Vorcaro um arquivo sobre o registro, no MPF, de uma notícia-crime .
No dia seguinte, Sicário alegou ter “acesso total e ilimitado” aos sistemas do órgão, destacando não saber por quanto tempo as consultas continuariam disponíveis. De acordo com a Polícia Federal, a mensagem de Sicário apontava que ele conseguia acessar procedimentos disponíveis no sistema Único, usado pelo MPF.
Cerca de um ano depois, em 16 de julho de 2024, uma Notícia de Fato foi instaurada pelo MPF. No dia 18 de julho, Sicário compartilhou com Daniel Vorcaro um arquivo contendo o procedimento. Doze dias depois, uma nova atualização foi encaminhada ao ex-dono do Master. Segundo a PF, o extrato processual havia sido gerado pelo perfil funcional da servidora Alina Boueres .
Em julho de 2025, Sicário enviou a Vorcaro uma consulta feita nos sistemas do MPF com os termos “BRB AND MASTER”. O ex-banqueiro respondeu: “Quero tudo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em ndmais.com.br — o conteúdo pertence a ND+.