Evangélico "desigrejado" é menos bolsonarista e conservador, mostra estudo
Evangélicos sem vínculos com igrejas, os chamados desigrejados , são menos bolsonaristas e menos conservadores do que aqueles que são membros de alguma instituição.
É o que mostra um estudo feito por pesquisadores das universidades de Reading, no Reino Unido, e Frankfurt, na Alemanha, que acaba de ser publicado.
A pesquisa, assinada pelo brasileiro Victor Araújo em conjunto com a italiana Valeria Rainero, mostra um campo onde a esquerda tem potencial de crescimento entre os evangélicos, às vésperas do primeiro turno das eleições.
Os pesquisadores avaliaram as respostas de 1.514 brasileiros, com 18 anos ou mais, em um questionário on-line.
Para averiguar o número de desigrejados, a pergunta sobre a religião do entrevistado incluía a opção “Evangélico(a), mas NÃO sou membro de nenhuma igreja” .
Quem selecionou a alternativa foi classificado como evangélico desigrejado.
No questionário, os entrevistados opinavam sobre temas como aborto, homossexualidade, divórcio, eutanásia e prostituição, dando notas de 0 a 10 em uma escala de conservadorismo moral – quanto mais alta a nota, mais conservador.
Eles também foram perguntados sobre como votaram no primeiro e no segundo turno das eleições de 2022, e como votariam se pudessem voltar no tempo para aquela mesma eleição.
Como foram os resultados? Os resultados mostraram que os evangélicos desigrejados já correspondem a 5% da população em geral e representam 18% do número de evangélicos do país.
Na escala de conservadorismo, enquanto os evangélicos vinculados a igrejas tiveram nota média de 7,11 nas respostas, entre desigrejados o valor caiu para 5,79 .
O número é menor, inclusive, que a média registrada pelos católicos, de 5,85.
Quando o assunto é a eleição de 2022, o percentual daqueles que votaram em Jair Bolsonaro (PL) e se mostraram confortáveis com o voto também muda entre os grupos.
Manteriam o apoio ao ex-presidente aproximadamente 58% dos evangélicos ligados às igrejas, contra 39% dos desigrejados .
Entre os católicos, o índice é de 43%, segundo o estudo.
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