Na ONU, Lula deve defender multilateralismo e rejeitar ingerência externa
O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações UNidas), na próxima terça-feira (22), ainda está em construção, mas já prevê uma fala enfática na defesa do multilateralismo e da soberania nacional, com recados aos países que têm tomado decisões independentes envolvendo questões globais.
No entanto, Lula não deve mencionar o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no discurso, nem se referir diretamente ao mandatário norte-americano.
O Brasil acusa os EUA de violação à soberania nacional desde o primeiro tarifaço aplicado pela Casa Branca aos produtos nacionais, no ano passado.
Recentemente, em discursos públicos e de campanha à reeleição , o presidente brasileiro tem feito críticas a tentativas de ingerência externa nos temas domésticos do Brasil, especialmente aquelas que possam interferir nas eleições .
Em evento nesta semana, o petista afirmou que, durante a ONU, terá um “bate-papo” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pedir que “não se meta nas eleições no Brasil”.
Leia Mais Ao lado de Trump no G7, Lula critica protecionismo e defende soberania Análise: Lula cobra discurso unificado sobre tarifaço dos EUA Lula diz que não quer Trump interferindo em eleições e TSE com "falcatrua" Auxiliares do presidente negam que exista, até o momento, um pedido de reunião bilateral com o chefe da Casa Branca, mas não descartam um “encontro fortuito”, e “aperto de mãos” entre os dois, durante o evento na sede da ONU, aos moldes do que foi no ano passado.
Segundo a equipe de Lula, o discurso do presidente neste ano será um pouco mais longo que o do ano passado, com duração de cerca de 20 minutos.
Em 2025, Lula discursou por 18 minutos.
A fala deve focar na defesa do multilateralismo em geral, envolvendo principalmente temas relacionados ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável.
Lula deve se ater também aos demais temas de relevância internacional, como a crescente dos conflitos globais, defendendo a importância das negociações de paz; e cobrar o compromisso dos países com os direitos humanos.
Eleições e STF O discurso de Lula na Assembleia Geral vai acontecer a menos de duas semanas das eleições no Brasil, mas a diplomacia brasileira nega que Lula irá aproveitar o momento para falar em tom eleitoral.
Admite que o texto prevê defesa às instituições, no contexto de que o Brasil não irá aceitar interferência estrangeira nos assuntos domésticos, mas descarta que irá mencionar a crise entre os ministros do Supremo Tribunal Federal.
O governo federal tem monitorado a crise no STF e os impactos na relação com os Estados Unidos.
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