Abertura de mercados será de forte pressão de baixa para ativos do Brasil após reeleição de Lula, dizem analistas
SÃO PAULO, 25 Out (Reuters) - A abertura dos mercados no Brasil será de forte pressão de baixa para os ativos locais nesta segunda-feira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmaram profissionais do mercado à Reuters neste domingo, e a expectativa é de ativação de mecanismos de interrupção de negociações logo cedo na B3 para suavizar o movimento.
O resultado da eleição, segundo eles, tende a gerar forte baixa das ações na bolsa, uma disparada do dólar ante o real e uma escalada das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).
Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas. Como o mercado estava em grande parte posicionado para uma vitória de Flávio, o ajuste tende a ser intenso.
“Nenhuma pesquisa estava dando vitória de Lula, e quando olhamos a metade da tarde do pregão de sexta-feira, parece que o mercado realmente se posicionou para a vitória de Flávio”, comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research.
“Vimos na sexta-feira um estirão do dólar para baixo e a bolsa para cima. Nesta segunda-feira, dado que houve essa alavancagem, é possível que haja circuit breaker na bolsa e parada de negócios no dólar”, acrescentou.
Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora. Uma terceira paralisação ocorre no caso de queda de 20%.
No caso do dólar futuro, pode ocorrer uma interrupção de negociações caso a alta do dólar seja de 6%. Com isso, o ativo entrará em leilão por alguns minutos para que haja formação de preço de equilíbrio. Nesta noite de domingo, alguns criptoativos ligados ao dólar subiam perto de 9%, o que sugere um avanço forte do dólar para novembro na manhã de segunda-feira.
No Brasil, como as cotações do dólar no mercado à vista são definidas com base nas cotações do dólar futuro -- mais líquido -- a tendência também é de forte alta no início das negociações, às 9h.
“Amanhã, a bolsa vai abrir com circuit breaker, o dólar também vai parar. Há chance de vermos o dólar chegar aos R$5,50”, projetou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior.
Na última sexta-feira, em meio às apostas de vitória de Flávio, o dólar fechou abaixo dos R$5,00.
Nesta noite de domingo, um fundo de ações brasileiras (ETF) listado na Bolsa de Tóquio, o Nomura NF Ibovespa Link ETF, recuava perto de 15%.
“A gente viu um movimento na sexta-feira, com o mercado apostando em uma vitória do Flávio, mas como isso não aconteceu, a tendência é de que se faça compras de defesa no câmbio”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Ele não descarta a possibilidade de o Banco Central entrar no mercado, por meio de leilões, para suavizar a disparada do dólar.
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