Dois em cada três adolescentes nunca fizeram teste de HIV, diz estudo
Quase dois em cada três adolescentes homens que fazem sexo com homens nunca haviam realizado um teste de HIV antes de participar de um estudo realizado em São Paulo e Fortaleza.
Entre os 287 jovens avaliados, 64,6% não tinham feito a testagem anteriormente, enquanto 38% relataram uso inconsistente de preservativo e 23,8%, uso sexualizado de drogas.
Publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia na última sexta-feira (11/9), o trabalho analisou adolescentes cisgêneros de 15 a 19 anos, dos quais 211 eram de São Paulo e 76, de Fortaleza.
Para participar, era necessário viver, estudar ou trabalhar em uma das cidades e ter mantido ao menos uma relação sexual anal ou oral com outro homem nos 12 meses anteriores.
Os dados foram coletados entre dezembro de 2020 e julho de 2022, e a idade mediana dos participantes era de 17 anos.
O objetivo principal não era medir a realização de testes de HIV, mas estimar a frequência de comportamentos sexuais associados à vulnerabilidade ao vírus e identificar fatores relacionados a eles, considerando o uso inconsistente de preservativo, os múltiplos parceiros sexuais e o uso de álcool ou outras drogas em contextos sexuais.
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Já entre os adolescentes que relataram uso sexualizado de drogas, também foram encontradas associações com experiências de violência e relações com parceiros de status sorológico desconhecido.
Os resultados, no entanto, não permitem afirmar que um fator provoque o outro, porque o estudo é transversal, ou seja, registra as características dos participantes em determinado período, sem estabelecer uma relação de causa e efeito.
Além disso, os autores reconhecem que a análise conjunta das duas cidades pode esconder diferenças entre os contextos locais.
Diante dos achados, os pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e instituições parceiras, defendem serviços acessíveis, confidenciais e voltados aos adolescentes, além da ampliação da testagem regular para HIV , do acesso à profilaxia pré-exposição, a PrEP, e aos preservativos.
Para os autores, escolas, unidades de atenção primária e organizações comunitárias também podem ajudar a aproximar os jovens das estratégias de prevenção.
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