Após prisão, defesa diz que Milton Leite está 'absolutamente tranquilo'
A defesa de Milton Leite (União Brasil) afirmou que o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, preso hoje, está "absolutamente tranquilo" por saber que não tem nenhuma relação com a investigação sobre a suposta atuação do PCC no setor de transporte coletivo da capital paulista.
Defesa de Milton Leite declarou que a defesa entrou ontem com pedido no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) para obter acesso integral aos autos do processo. Em entrevista à imprensa na delegacia, o advogado Aloísio Lacerda Medeiros alegou que os autos são "volumosos" e que ainda não teve acesso a nada do caso, por isso, se manifestará oportunamente.
A defesa também apontou que não entrou com pedido de habeas corpus em desfavor do cliente. Ainda acrescentou que o ex-vereador não se apresentou antes porque estava fora do estado de São Paulo. Desde a deflagração da operação, Leite disse que iria se entregar, e se declarou inocente.
Leite chegou à Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, acompanhado de Medeiros. A prisão dele é temporária —válida por 30 dias com possibilidade de prorrogação por igual período. O homem presta depoimento e deve fazer exames no IML (Instituto Médico Legal) antes de ser levado à penitenciária.
Na manhã de hoje, a Polícia Civil chegou a procurá-lo em Sorocaba, no interior paulista, mas ele não foi encontrado. No endereço, ligado a um ex-assessor de Leite, os agentes encontraram R$ 280 mil e US$ 89 mil (R$ 458 mil na cotação atual) em espécie . O nome do assessor não foi divulgado.
O ex-presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo teve sua prisão temporária decretada pela polícia por uma suposta ligação entre ele e o PCC. Além dele, outras 15 pessoas foram alvos de mandados de prisão pela Polícia Civil ontem na operação Vectura Corrupta.
Para a polícia, há fortes indícios de envolvimento direto do ex-vereador com o esquema de infiltração no transporte público do PCC. Ele seria responsável pelas operações de empresas de ônibus controladas pela facção.
O UOL já havia revelado, em 2024, relações entre Leite e a Transwolff. Uma empresa da família do então vereador alugava um terreno para a concessionária . Advogado e contador ligados ao político também prestaram serviços à companhia durante a licitação do transporte público.
Leite nega ser proprietário da Transwolff e qualquer envolvimento com o PCC. Ele afirmou que sua interlocução com a SPTrans ocorreu a pedido do então prefeito Bruno Covas, durante uma greve em 2019.
Em um dos diálogos, um homem apontado como integrante da organização menciona o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Ele diz para outro suposto membro da facção que havia falado para um advogado identificado como Milton Milreu que seria necessário "envolver o Milton Leite para resolver a questão".
Noutro trecho, o homem fala em extrema preocupação em dar ciência à Milton Leite dos fatos envolvendo a UpBus. Milton é apontado pelo MP-SP como o possível articulador político das decisões estratégicas sobre o setor de transporte público de São Paulo — inclusive as empresas investigadas.
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