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Sobre a ridícula carta escrita pelos clubes a favor das apostas

UOL Esporte ·
Sobre a ridícula carta escrita pelos clubes a favor das apostas

Os clubes brasileiros, que não acham caminho de consenso para tratar de temas centrais como o combate ao racismo e ao machismo, parecem ter encontrado ambiente conciliatório para defender as apostas. Sentaram-se para redigir uma carta que entrará para a história como uma peça de infâmia, um produto de des-sensibilização e de alienação diante dos verdadeiros problemas do Brasil.

Para justificar a continuidade da circulação da dinheirama derramada no mercado pelas "bancas", os advogados divulgaram um texto que contém algumas pérolas.

"Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos", escrevem. Vejam: o lucro é deles e fica no colo do Poder Público resolver o colapso social criado pelas apostas. Como o poder público pode cuidar disso? Dois caminhos: proibindo ou taxando pesadamente. Os atores envolvidos não querem nem um, nem outro. Eles até aceitaram (por força) a taxação, desde que fosse mínima. A arrecadação dos impostos devidos não tem a capacidade de fazer nada pelos danos causados. Zero. Niente. Nothing.

Segue a carta: "Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável". Quem fará isso? O Estado. Eles ficam com a grana; o estado com os deveres. Já não é com eles, entendem?

Mais: "Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul-Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo".

Podemos abrir mão desse protagonismo se, para mantê-lo, for necessário colapsar socialmente a sociedade. Dane-se o protagonismo. Queremos uma nação saudável e forte. Acho que qualquer pessoa escolheria a segunda opção se a alternativa for manter as apostas para que nossos times sigam papando as Libertadores enquanto a população vulnerável se entrega ao vício, à falência e à morte.

As ideias contidas nessa última parte não estão associadas pela lógica, apenas pela ganância. O torcedor (e a torcedora ignorada pelo sexismo da linguagem) estão pagando essa conta há anos. Eles e elas foram retirados e retiradas dos estádios, precisam pagar para ver qualquer jogo pela TV, precisam virar "sócios" e "sócias" para merecerem respeito. Essa conta já está com a torcida.

Acabar com as apostas obrigará os clubes a se ajustarem à nova realidade social. Eles não sairão de cena; permanecerão vivos. O exagero da colocação é apenas um drama, uma hipérbole, um pranto ridículo e sem sentido. O futebol não vai acabar porque as apostas sairão de cena.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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