Quando a narrativa toma o lugar do debate
O debate político brasileiro se acostumou a funcionar a partir de narrativas prontas.
De um lado, qualquer adversário é chamado de fascista.
Do outro, toda crítica é tratada como censura, perseguição ou ameaça à liberdade.
Cada grupo se coloca como o último defensor da democracia e enquadra o outro como uma ameaça que precisa ser eliminada, não enfrentada no campo das ideias.
Essa lógica mobiliza rápido porque dispensa explicação.
Aciona medo, identidade e pertencimento.
É muito mais simples dizer que o outro lado é o inimigo do que discutir orçamento, segurança, saúde, emprego, infraestrutura, prioridades e resultados.
Quem perde é o eleitor, que recebe indignação no lugar de informação e passa a acompanhar a política como se ela fosse uma guerra sem fim.
Isso não significa relativizar atitudes autoritárias, ataques às instituições, violência política ou desinformação.
Quando há fatos, eles precisam ser chamados pelo nome.
O problema começa quando palavras graves deixam de descrever comportamentos concretos e viram rótulos automáticos para quem pensa, vota ou discorda diferente.
A palavra se esvazia, o debate empobrece e a democracia perde qualidade.
Marketing político não pode ser só a fábrica de indignação É nesse ponto que o marketing político deveria cumprir um papel mais responsável.
Não cabe a ele, sozinho, resolver a polarização, mas cabe definir o enquadramento de uma campanha, o tom da conversa e a forma como os fatos chegam ao eleitor.
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