Brasil se prepara para entrar na era do 6G sem ter sequer completado a adoção do 5G
Uma nova revolução digital começa a ganhar forma.
Com a promessa de conexões mais rápidas, respostas quase instantâneas e inteligência artificial integrada às redes, a sexta geração da internet móvel, conhecida como 6G, mobiliza governos, empresas e centros de pesquisa — um esforço que já levou alguns países a testar as tecnologias necessárias para esse salto.
A disputa envolve tanto o desenvolvimento de equipamentos quanto a definição dos padrões internacionais, coordenada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência ligada à ONU.
No Brasil, os estudos avançam em universidades e centros especializados, mas a preparação das redes ainda esbarra nas lacunas da infraestrutura atual.
Nesta semana, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fez a primeira de duas audiências públicas sobre o futuro leilão da faixa de 6 GHz, que poderá atender às futuras redes 6G.
O Brasil, contudo, repete um roteiro conhecido: entra na corrida pela nova tecnologia enquanto sequer levou o sinal 5G para toda a população.
Desenvolver tecnologia própria, em vez de apenas importar equipamentos e serviços, é uma das ambições das pesquisas brasileiras sobre o 6G.
O Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) coordena o projeto Brasil 6G, apoiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que estuda aplicações da nova tecnologia.
Já o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) lançou neste ano o Era 6G, projeto financiado por um fundo ligado ao Ministério das Comunicações .
Ao longo de três anos, o programa deverá pesquisar o uso de IA e de redes abertas, que permitem combinar equipamentos de diferentes fornecedores, para reduzir os custos de implantação e operação do sistema.
Continua após a publicidade O objetivo das iniciativas é transformar pesquisa em capacidade industrial.
“Nossa meta central é assegurar que o Brasil não seja apenas um consumidor, mas também um produtor de tecnologia”, diz Gustavo Correa Lima, diretor de tecnologia e inovação do CPQD.
Marcos Ferrari, presidente da Conexis Brasil Digital, entidade que representa as empresas de telecomunicações, defende seguir o modelo do leilão do 5G, realizado em 2021.
“Foi um modelo não arrecadatório, que privilegiou investimento”, diz.
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