Debate vira ‘pão e circo’ e deixa eleitor de fora, avalia professor da USP
O debate presidencial realizado no domingo, 18, entre Lula e Flávio Bolsonaro, se aproximou mais de um espetáculo voltado às redes sociais do que de uma discussão de propostas.
A avaliação é de Luiz Alberto Farias, professor de opinião pública da USP.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista , de VEJA, ele afirmou que o formato deixou em segundo plano a troca de ideias e pode ter afastado justamente o eleitor que ainda não está definido. (Este texto é um trecho do vídeo acima) “Os debates têm migrado para alguma coisa muito mais pão e circo do que efetivamente conteúdo”, afirmou Farias.
Segundo ele, os candidatos transformaram o encontro em uma disputa por tempo, atenção e momentos capazes de repercutir nas plataformas digitais.
O que faltou no debate? Para o professor, não houve uma confrontação efetiva de ideias.
Segundo Farias, os candidatos deixaram de responder diretamente às perguntas e passaram a conduzir as intervenções para assuntos escolhidos por eles próprios.
Na avaliação dele, Flávio Bolsonaro demonstrou maior domínio da dinâmica criada pelas redes.
O candidato teria chegado ao debate preparado para produzir cortes e explorar gestos e frases de efeito posteriormente.
Lula, por sua vez, apesar de ter mais experiência e conteúdo, teria se perdido em alguns momentos e demonstrado dificuldade para controlar o palco e o tempo.
Continua após a publicidade Farias também criticou a transformação dos debates em eventos cada vez mais orientados pela audiência.
Para ele, o formato acaba privilegiando o confronto e a repercussão em detrimento do aprofundamento das questões apresentadas aos candidatos.
Quem fica de fora dessa disputa? O professor chama atenção especialmente para os eleitores que não estão plenamente identificados com nenhum dos dois candidatos.
Segundo ele, mais de 21% dos eleitores optaram por não votar, enquanto os votos brancos e nulos também representam um contingente que poderia ser mobilizado.
Continua após a publicidade Na avaliação de Farias, os cortes produzidos pelas campanhas nas redes sociais dificilmente terão grande impacto sobre esse público.
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