Um fundo oceânico sem luz abriga animais que dependem de bactérias para transformar sulfeto tóxico em energia e formar comunidades inteiras sem usar diretamente a luz do Sol
Microrganismos das fontes hidrotermais usam energia química para sustentar vermes, moluscos e crustáceos em completa escuridão
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Em torno de fontes hidrotermais do oceano profundo, a escuridão é permanente, mas a vida pode formar aglomerações densas de vermes tubulares, moluscos e crustáceos. A quimiossíntese permite que microrganismos transformem energia química em matéria orgânica , criando uma base alimentar local que não depende diretamente da luz solar que sustenta a maioria dos ecossistemas da Terra.
Fontes hidrotermais surgem quando água do mar penetra por fissuras da crosta oceânica, é aquecida em profundidade e retorna carregada de minerais e compostos químicos. Em alguns sistemas, fluidos podem superar 300 °C antes de se misturarem com a água fria do oceano profundo.
Longe das fontes, grande parte dos animais do fundo depende de material orgânico produzido perto da superfície e que afunda lentamente. Perto das chaminés hidrotermais, porém, microrganismos produzem matéria orgânica no próprio fundo, permitindo uma concentração de biomassa muito maior.
Bactérias e arqueias quimiossintéticas conseguem obter energia oxidando compostos inorgânicos. Nas fontes hidrotermais, um dos mais importantes é o sulfeto de hidrogênio, H₂S, substância tóxica para muitos animais. Em presença de oxidantes, como oxigênio, sua transformação libera energia que os micróbios podem aproveitar.
Essa energia é usada para fixar carbono inorgânico e produzir moléculas orgânicas. O princípio lembra a fotossíntese porque ambos os processos criam biomassa a partir de carbono, mas a origem da energia muda completamente: luz em um caso e reações químicas no outro.
Este vídeo mostra como vermes tubulares gigantes dependem de bactérias quimiossintéticas nas fontes hidrotermais.
O exemplo clássico é Riftia pachyptila , verme tubular gigante encontrado em fontes do Pacífico. Quando adulto, ele não possui boca nem sistema digestório funcional. Em vez disso, abriga enormes populações de bactérias simbióticas em um órgão interno chamado trofossomo.
A pluma vermelha do verme absorve oxigênio, dióxido de carbono e sulfeto de hidrogênio da água. Sua hemoglobina consegue transportar oxigênio e sulfeto simultaneamente, conduzindo esses compostos às bactérias. Elas realizam o metabolismo quimiossintético e fornecem compostos orgânicos ao hospedeiro.
Não. Mexilhões de fontes hidrotermais podem manter bactérias simbióticas em suas brânquias, enquanto alguns camarões e caranguejos carregam comunidades microbianas na superfície do corpo. Outros animais simplesmente raspam tapetes de bactérias que crescem sobre as rochas.
Há também predadores que não possuem simbiontes, mas dependem indiretamente deles porque comem animais sustentados pela produção microbiana. A NOAA Ocean Exploration explica que esses microrganismos atuam como produtores primários, posição equivalente à ocupada por plantas e algas em ecossistemas iluminados.
Na fotossíntese, a luz fornece energia para transformar carbono inorgânico em matéria orgânica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.