‘Ray Gunn’ une charme do noir à inventividade da animação em aventura futurista
Brad Bird ( O Gigante de Ferro ) nunca escondeu sua paixão pelo cinema de ação.
De Os Incríveis (2004) a Missão: Impossível – Protocolo Fantasma (2011), o cineasta sempre demonstrou um domínio particular sobre a construção de cenas e universos empolgantes.
Em Ray Gunn , projeto que idealizou por mais de três décadas, essa paixão encontra uma de suas expressões mais livres.
Afinal, se o diretor já havia demonstrado as dificuldades de transportar sua imaginação para o cinema em live-action com o frustrante Tomorrowland: Um Lugar Onde Nada é Impossível (2015), aqui ele parece encontrar na animação um território onde não existem limites para suas ambições.
O resultado é uma aventura que celebra não apenas as possibilidades da linguagem animada, mas também o próprio cinema e sua capacidade de criar mundos extraordinários.
Ambientado em Metropia, uma metrópole gigantesca de um futuro alternativo imaginado a partir de 1939, Ray Gunn acompanha Raymond Gunn (voz de Sam Rockwell , de Três Anúncios para um Crime ), um detetive particular que acaba envolvido em uma investigação envolvendo assassinatos, alienígenas e uma misteriosa estrela do entretenimento chamada Venus Nova (voz de Scarlett Johansson , de Viúva Negra ).
A premissa é uma desculpa perfeita para Bird mergulhar nas convenções do cinema noir, especialmente nas histórias de investigadores particulares que transitam por uma sociedade corrupta, povoada por criminosos, figuras sedutoras e indivíduos dispostos a qualquer coisa para conseguir o que desejam.
Se faltam o preto e branco, os cigarros e os charutos que costumam acompanhar esse imaginário, sobra a atmosfera de um universo em que a moralidade parece ter se tornado um artigo de luxo.
A exceção é justamente Raymond , um sujeito que insiste em fazer a coisa certa, para o desespero de seu parceiro Olhívio , um velho alienígena que o acompanha em suas investigações.
Mas é na construção de Metropia que Ray Gunn encontra uma de suas maiores virtudes.
Bird combina a arquitetura monumental, a estética art déco e o imaginário futurista das primeiras décadas do século XX para criar uma cidade que parece existir entre diferentes épocas do cinema.
Há algo de Metrópolis (1927), de Fritz Lang , na grandiosidade desse universo, assim como ecos das ficções científicas clássicas e dos policiais hollywoodianos dos anos 1940.
Mais do que reunir referências, porém, o diretor consegue transformá-las em uma identidade visual própria, aproveitando a liberdade da animação para conceber cenários, personagens e sequências de ação que dificilmente teriam a mesma espontaneidade em uma produção com atores reais.
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