TSE derruba decisão de Nunes Marques sobre vídeo de Flávio contra Lula
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) formou maioria nesta sexta-feira (14) para derrubar uma decisão individual do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques , que havia negado a retirada de um vídeo publicado por Flávio Bolsonaro (PL) com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) .
O caso foi julgado no plenário virtual do tribunal, em sessão extraordinária realizada entre os dias 12 e 14 de agosto.
A ação foi movida pela Federação Brasil da Esperança , formada por PT , PCdoB e PV , contra o senador.
Leia Mais Missão nega participação de dirigente do partido em filiação de Flávio TSE discutirá em plenário decisão sobre gastos com publicidade de Lula PT desiste de ação no TSE e pode destravar R$ 2,3 bi do Fundo Eleitoral Por 5 votos a 2 , a maioria dos ministros divergiu do entendimento de Nunes Marques e não referendou a decisão que ele havia tomado como relator, em julho.
Votaram contra o relator os ministros Estela Aranha , Dias Toffoli , Ricardo Villas Bôas Cueva , Floriano de Azevedo Marques e Antonio Carlos Ferreira .
André Mendonça foi o único a acompanhá-lo.
A decisão original, de 26 de julho, havia rejeitado um pedido de liminar para a remoção do vídeo das redes sociais, com o próprio relator determinando que seu entendimento fosse posteriormente submetido a referendo do plenário.
Na ação, a Federação Brasil da Esperança acusou Flávio de propaganda eleitoral antecipada negativa contra Lula.
Entre as declarações contestadas está uma publicação em que o senador afirma que Lula, ao viajar aos Estados Unidos, teria ido como “defensor do PCC e do Comando Vermelho” e que o petista teria feito “mais pelo crime do que pelo povo brasileiro” .
No mesmo vídeo, Flávio diz ter “Deus” ao seu lado, enquanto Lula teria “o diabo” .
A federação argumentou que o conteúdo extrapolava os limites da crítica política ao associar falsamente Lula a organizações criminosas, e que Flávio usava a publicação para promover sua própria pré-candidatura ao Planalto.
O que dizia Nunes Marques Ao negar a retirada do vídeo, Nunes Marques argumentou que a intervenção da Justiça Eleitoral sobre manifestações políticas deve ser excepcional, em defesa da liberdade de expressão durante o processo eleitoral.
Segundo o ministro, não caJube à stiça Eleitoral escolher qual narrativa deve prevalecer no debate público, mas apenas verificar a ocorrência de situações objetivamente ilícitas à luz da legislação eleitoral.
No caso de Flávio, ele considerou que as declarações, apesar da linguagem “contundente, hiperbólica e retórica” , não configuravam, em uma análise preliminar, uma imputação objetiva de vínculo entre Lula e organizações criminosas.
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