É este o homem que quer presidir o Brasil?
Primo Levi, escritor judeu italiano e sobrevivente de Auschwitz, publicou em 1947 o livro que conhecemos no Brasil como “É isto um homem? ”.
Nele, testemunhou o sofrimento imposto pelo nazismo e a tentativa de destruir a dignidade dos prisioneiros.
Seu testemunho nos convoca a reconhecer a humanidade das vítimas e a preservar a memória do que lhes foi feito.
É nessa exigência de dignidade que apoia a pergunta dirigida às escolhas de Flávio Bolsonaro: que autoridade moral tem para governar o Brasil quem glorifica um torturador? Eu perdi amigos para a ditadura que Flávio Bolsonaro enaltece.
Honestino Guimarães, Gildo Lacerda e José Carlos da Mata Machado eram jovens que sonhavam com a liberdade e com um Brasil mais justo.
Tinham projetos, companheiras, filhos, amigos.
Três exemplos de cerca de mais de 400 casos registrados.
O regime instalado pelo golpe de 1964, que durou 21 anos, decidiu que suas vidas podiam ser eliminadas.
Flávio defende a ditadura que os matou Em meu livro “Entre o golpe e a eleição”, publicado pela Thesaurus em 2026, dediquei uma homenagem à memória dos três.
Ao recordá-los, honro também os 434 mortos e “desaparecidos” políticos relacionados no relatório final da Comissão Nacional da Verdade.
Cada nome corresponde a uma pessoa e a uma família atingida pela violência e pelo terrorismo de Estado.
Essa história faz parte da responsabilidade de alguém que conheceu aqueles jovens.
A distância de mais de meio século não autoriza transformar seus assassinatos em assunto encerrado.
Sobretudo quando um candidato à Presidência defende um torturador e a ditadura que os matou.
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