TV de Flávio coloca jovens influencers de direita para debater crise no STF
Flávio Bolsonaro (PL) lançou há poucos dias a TV Celular, uma programação no canal da campanha no YouTube com conteúdo ao vivo 24 horas por dia. Se a vida estava difícil para quem tem a missão de acompanhar o horário eleitoral gratuito da turma, a coisa agora ganhou outra proporção. Fui um dos cerca de 200 espectadores que acompanharam duas atrações na manhã desta segunda-feira.
A primeira era o Momento Jovem, um programa que, como o nome sugere, reúne gente que mal aprendeu a arrumar a cama do quarto e já está apta a discutir a conjuntura. No caso, a crise do Supremo Tribunal Federal .
Num modelo tipo videocast, comandado por Ben Pontes, ex-assessor parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo ligado ao MBL, o programa reuniu dois influencers menores de 18 anos e cerca de 500 mil seguidores no Instagram cada. A tarja era "Fé, família e liberdade: os valores que voltaram para a juventude".
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Jessé Kuchla, 17, um dos convidados, se gabava de fazer parte de um processo de conscientização política que mudou o Brasil de umas décadas para cá. Nos anos 1990, disse, ninguém da idade dele saberia citar um só ministro do STF. Isso mudou, garantiu ele, pouco antes de chamar o presidente da corte de Luiz Fux e partir para uma defesa terrivelmente apaixonada de André Mendonça.
O moço, bem verdade, estudou e decorou a cartilha. Não demorou para repetir o lema dos adultos do time sobre a importância de pautar o impeachment de ministros do Supremo.
Outro tema do debate era o PL Anti-Misoginia, um projeto que, segundo a influencer Lorena Comeron, 15, tem como objetivo a censura e a vigilância do pensamento. Pra quê? Para a esquerda ter o controle da nossa vida. (A lei, na verdade, mira condutas que manifestem ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino, e equipara o crime ao racismo).
Como quem perdeu o controle remoto, fiquei para a atração seguinte: uma adaptação dos confrontos "30 contra 1" que viralizaram entre produtores de conteúdo de 2025 pra cá.
A brincadeira, na versão bolsonarista, virou um "13 contra 1" (número de legenda autoexplicativo), e colocou a ex-presidente da Caixa Daniella Marques para moer jovens imberbes em assuntos como dívida pública e crise nos Correios .
Marques é a principal assessora econômica de Flávio Bolsonaro —e provável ministra da Fazenda caso o Zero Um seja eleito.
Vestida com uma camiseta com a imagem de Nossa Senhora, ela sentou à mesa e prometeu aos espectadores um debate de ideias com quem pensava diferente dela. Era uma cilada.
O primeiro petista escalado para a batalha parecia um ator contratado para interpretar um eleitor que acorda pela manhã e reza em direção ao túmulo de Stalin. Gaguejava, vacilava, e não segurou um minuto de conversa sobre dívidas —para ele, males inerentes a países capitalistas de moeda corrente.
A exceção ali era um jovem estudante de economia que chegou à arena com alguns dados do mundo real e referências sobre a teoria de Keynes.
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