Warsh diz que Fed tem “trabalho a fazer” caso inflação siga acima da meta
O banco central dos EUA “terá trabalho a fazer” se os formuladores de política monetária não estiverem confiantes de que a inflação subjacente está voltando à meta de 2%, afirmou o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, nesta sexta-feira (28).
Em declaração, Warsh reconheceu que as condições financeiras não parecem restritivas — representando o momento em que ele mais se aproximou de admitir que aumentos nas taxas de juros podem ser necessários para amenizar as pressões sobre os preços.
“Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente.
Caso contrário, temos trabalho a fazer”, disse Warsh em um discurso preparado para ser proferido no simpósio econômico do Fed em Jackson Hole, no Wyoming.
“Esse é o nosso trabalho… nosso mandato… e nossa responsabilidade.” Leia Mais Kevin Warsh diz que buscará "com firmeza" meta de inflação de 2% do Fed Warsh enfrenta problemas no Fed após "sinal de alerta" do mercado de título Warsh atua sob pressão para agir diante de inflação acima da meta Embora grande parte do discurso de 16 páginas tenha se concentrado em questões amplas, como a influência da inteligência artificial, que Warsh considera que serão fundamentais no longo prazo, ele também incluiu alguns reconhecimentos importantes.
O chair do Fed também mecionou que “as taxas de juros de curto prazo são a ferramenta predominante para cumprir o duplo mandato”.
Notavelmente, Warsh afirmou que as recomendações d os cinco grupos de trabalho que ele encarregou de estudar questões de longo prazo “virão mais tarde e não terão influência nas decisões que tomamos na conjuntura atual de política monetária.” O americano, entretanto, acredita que, para os desafios futuros da política monetária, esse investimento intelectual de hoje os deixará muito mais bem preparados.
Ele não abordou diretamente as recentes intervenções no mercado realizadas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, mas afirmou que o Fed “precisa de sinais claros do mercado, o mais puros possível”, para definir uma política monetária adequada.
Mas foram seus comentários sobre a inflação que, discutivelmente, foram mais longe para preencher o que alguns viram como uma lacuna nas declarações de Warsh em suas duas primeiras coletivas de imprensa.
“ O progresso nos últimos dois anos tem sido modesto”, disse Warsh sobre a inflação que, segundo o PCE (Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal) — preferido pelo Fed —, permaneceu em 3,7% em base anual até julho.
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