Falta de trabalhadores é gargalo para novos investimentos em Mato Grosso do Sul
Os programas de capacitação de mão de obra adotados em Mato Grosso do Sul têm sido insuficientes para atender à demanda do setor produtivo local ou fazer frente aos desafios diante do fim gradativo dos incentivos fiscais.
Com demanda aquecida, o Vale da Celulose, por exemplo, é marcado pela disputa por profissionais para os projetos da Arauco, Bracell e para a retomada da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3) da Petrobras.
Especialistas alertam que ampliar os investimentos na infraestrutura logística para o escoamento da produção local é outro desafio para o Estado no próximo mandato de Eduardo Riedel (PSDB).
O pesquisador Eduardo Luís Casarotto, professor de Administração da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), avalia que o governo terá de fortalecer os órgãos de formação profissional para ampliar a capacitação e atender à demanda do setor produtivo.
“O desafio, porém, vai além da qualificação, porque o Estado não tem trabalhadores em quantidade suficiente para acompanhar o ritmo dos novos investimentos.
Ou seja, o problema não é somente a capacitação.
Somos um Estado pequeno, populacionalmente.
Então, falta gente.” Ele destaca ainda a importância de ampliar os recursos e programas para incentivar a permanência de trabalhadores estrangeiros ou de outras regiões do País no Estado.
“Temos muita mão de obra de fora, e isso também causa um fluxo que impacta vários pontos da organização da sociedade, especialmente em regiões que às vezes não estão preparadas para isso”, acrescenta.
O especialista da UFGD reconhece que o problema de mão de obra qualificada não é isolado de Mato Grosso do Sul, já que a carência ocorre também em várias regiões do Brasil.
Nesse caso, ele lembrou que o gargalo de mão de obra iniciado na área do transporte vem se estendendo para outros setores em meio ao dinamismo econômico.
“Se tivéssemos perto de 20 mil caminhoneiros disponíveis, todos eles estariam empregados”, avalia.
Busca por mão de obra - Atualmente, a escassez de profissionais “é a dor de todo empresário”, reforça a Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul).
A explicação da federação é de que a economia local atravessa um ciclo de pleno emprego e, por isso, o número de trabalhadores vem sendo insuficiente para atender à demanda.
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