Três crateras aparecem encaixadas uma dentro da outra numa ilha remota e cientistas ligaram o vulcão a uma erupção que escureceu o céu no século XIX
Cinzas microscópicas preservadas no gelo polar ajudaram a identificar a provável origem de uma poderosa erupção ocorrida em 1831
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No remoto arquipélago das Curilas, entre o Japão e a península russa de Kamchatka, uma formação vulcânica chama atenção pela geometria incomum vista do espaço. O vulcão Zavaritskogo possui três grandes caldeiras aninhadas e um lago na depressão central. Agora, evidências preservadas no gelo polar relacionam esse local isolado a uma poderosa erupção de 1831 que alterou a atmosfera e resfriou parte do Hemisfério Norte.
Zavaritskogo, também chamado Zavaritskii ou Zavaritzki, fica na ilha de Simushir. Em vez de apresentar apenas uma cratera no topo, o complexo possui três caldeiras aproximadamente concêntricas, com cerca de 10, 8 e 3 quilômetros de diâmetro. A mais jovem possui paredes íngremes e se formou durante o Holoceno.
Essas depressões registram diferentes episódios da evolução vulcânica. Calderas podem surgir quando grandes erupções retiram enorme quantidade de magma e parte da estrutura acima da câmara magmática perde sustentação e colapsa. No centro do sistema atual está o lago Biryuzovoe, acompanhado por domos de lava e pequenos cones vulcânicos.
A grande erupção conhecida por registros climáticos lançou aproximadamente 13 teragramas de enxofre na estratosfera, segundo a reconstrução científica. Compostos formados a partir desse enxofre espalharam aerossóis capazes de refletir parte da radiação solar, produzindo fenômenos ópticos incomuns e reduzindo temporariamente a energia que alcançava a superfície.
Registros históricos daquele período mencionam cores incomuns no Sol, enquanto reconstruções climáticas indicam resfriamento de aproximadamente 1 °C no Hemisfério Norte. Isso não significa que o céu tenha permanecido literalmente escuro, mas que partículas vulcânicas modificaram a transmissão e a dispersão da luz solar.
Este vídeo apresenta a paisagem vulcânica das ilhas Curilas e ajuda a visualizar o ambiente onde está Simushir:
Durante décadas, a origem daquela grande erupção permaneceu incerta porque não existia um relato histórico claro de uma explosão compatível com os sinais encontrados no gelo. Pesquisadores analisaram partículas microscópicas de cinza, chamadas criptotefras, preservadas em testemunhos de gelo polar referentes ao verão de 1831.
A composição química desses fragmentos de vidro vulcânico coincidiu com depósitos da erupção pliniana mais recente de Zavaritskogo. Datações por radiocarbono e estimativas do volume expelido reforçaram a associação, levando os autores a considerar o vulcão a fonte mais convincente conhecida até agora para o evento.
Simushir fica numa área extremamente remota e pouco povoada das Curilas. Uma grande explosão ocorrida ali no século XIX poderia, portanto, deixar poucas observações humanas diretas, embora seus produtos alcançassem a alta atmosfera e acabassem preservados a milhares de quilômetros de distância no gelo polar.
A identificação tornou-se possível ao combinar geoquímica, isótopos de enxofre, datação e depósitos vulcânicos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.