Insuportável Futebol Clube
Formado em jornalismo, começou a escrever na Folha em 2001. Passou por diversas editorias no jornal e atualmente assina o blog Copo Cheio, sobre o cenário cervejeiro, e uma coluna em Esporte
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
A cada rodada que passa, seja de Campeonato Brasileiro , Copa do Brasil ou Taza de Brasil (também chamada de Libertadores ), fica mais difícil acompanhar os 90 minutos de uma peleja.
Difícil, não, chato mesmo. A cera, o antijogo, as simulações e as reclamações em volta do árbitro estão insuportáveis. Este humilde e rodado escriba nem lembra direito quando isso começou, na verdade, quando intensificou. Cera e simulação, sempre tivemos. Desde o início do teatro grego de arena existe alguém que tenta dramatizar uma falta para enganar a arbitragem. Quem não lembra do grande ator Rivaldo Borba na Copa de 2002, levando um turco à expulsão na estreia após colocar a mão no rosto por levar uma bolada na coxa. Que atuação.
Mas agora todo mundo acha que é Rivaldo, que é Maradona , e não no bom sentido, apenas no quesito dramaturgia. Cada vez que um jogador que leva um toque no peito se joga no chão com a mão no rosto —como se tivesse sido atingido por um soco de Rocky, ou Creed—, uma fadinha morre em algum lugar; e eu troco de canal.
O pior que não são apenas as simulações de espancamento, tem também as discussões, o empurra-empurra em demonstração de macheza de todos em campo, os pedidos para olhar o VAR, os pedidos para deixar o VAR para lá, tudo está chegando a níveis intragáveis.
Parece que Dick Vigarista é a fonte de inspiração de cada treinador, capitão e goleiro em campo, todos pensando em um jeitinho de levar vantagem.
O goleiro é outro ser que merece estudo, tanto na dramaturgia como na medicina, tamanha a sua fragilidade. Se o resultado estiver favorável, ele precisa pedir atendimento médico a cada defesa ou escanteio. Sempre tem algo doendo. E contra a cera do goleiro, o juiz (este pobre e inábil homem de preto) não tem muito o que fazer.
Nesta gloriosa 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, estreiam as chamadas regras anti-cera , que vimos em ação durante a Copa do Mundo . São coisinhas como: lateral não pode demorar mais de 5 segundos para ser cobrado, ou será reversão; tiros de meta devem ser cobrados em até 5 segundos após o apito, ou será escanteio; jogadores substituídos precisam deixar o campo em 10 segundos, ou quem entrar vai ficar 1 minuto esperando. E a reposição do goleiro tem que ser feita em 8 segundos —isso já existia e não funcionava, juízes não sabem contar até 8, dá muito trabalho.
A cera e o antijogo parecem os grandes vilões a serem combatidos no esporte mundial, algo que fica mais em evidência quando a Argentina chega longe em uma competição, qualquer uma.
A Premier League , que preza a qualidade do espetáculo que vende para o mundo, resolveu também agir por conta própria. Nesta temporada, o time do goleiro que pedir atendimento médico para ganhar tempo (como citado acima), ficará 1 minuto sem um jogador de linha —o próprio técnico pode indicar quem sai.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.