Lanterna Verde, na HBO, vai às profundezas da América e revê mitos dos super-heróis
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"No dia mais claro, na noite mais densa, o mal sucumbirá ante a minha presença. Aquele que venera o mal há de penar, quando o poder do Lanterna Verde enfrentar", diz Hal Jordan ao recarregar o seu anel, artefato que permite aos lanternas verdes conjurar qualquer objeto.
O personagem de Kyle Chandler, uma versão grisalha do super-herói que já lutou junto da Liga da Justiça , proclama o juramento com a voz cansada, como se a frase tivesse perdido seu sentido. É que os tempos mudaram, e o uniforme luminoso, que já apareceu na televisão e no cinema, afirma ele, agora só aparece em ocasiões especiais.
Não é o caso da investigação que ele conduz ao lado do pupilo, o ex-militar John Stewart, interpretado por Aaron Pierre , no interior dos Estados Unidos. É nas profundezas do país que "Lanternas" repensa a tropa intergaláctica da DC Comics , que nesta série enfrenta conflitos raciais e aliens que se transformam em humanos.
Criado em 1940, o grupo de seres corajosos sempre esteve ligado à geopolítica. Seu primeiro terráqueo, o americano Alan Scott, por exemplo, derrotou nazistas durante a Segunda Guerra e passou o manto para Hal, um aviador que pilotou aeronaves de última geração na Guerra Fria .
John, por sua vez, surgiu no início dos anos 1970, quando a efervescência causada por mortes como a de Martin Luther King fez dele um dos primeiros protagonistas negros da DC. Distante de antecessores, suas tramas priorizaram tensões urbanas e ele não vestia máscaras —não tinha o que esconder e se orgulhava de sua cor, como afirmava.
"Não estamos promovendo nenhuma agenda ' woke ' ao falar sobre como a cor influencia a ascensão ao poder", diz Damon Lindelof , um dos criadores da série. "Hal foi simplesmente escolhido pelo anel, mas John, um homem negro nascido nos Estados Unidos, enfrenta vários obstáculos."
A atração, que chega à HBO Max neste domingo, leva os personagens —o homem inconsequente que teme perder o posto e o jovem disciplinado e destemido— para uma pequena cidade onde assassinatos inexplicáveis anunciam uma guerra entre espécies.
De um lado, latifundiários vestidos como caubóis desenvolvem tecnologias para enfrentar a invasão de outro planeta. Do outro, criaturas roubam identidades alheias e se aproveitam de mazelas humanas para firmar seu domínio.
"Tudo gira em torno da ideia de que quem detém o poder herda um legado institucional", diz Lindelof. "Acreditamos viver em democracias modernas, mas não nos livramos do direito de nascença de ' Game of Thrones '. Vemos o sobrenome Kennedy voltar ao Congresso, e basta lembrar que o filho de George Bush o sucedeu na presidência."
São disputas simbólicas que o roteirista já explorou na minissérie " Watchmen ", inspirada em outro universo da DC. Lançado em 2019, o trabalho, uma continuação à saga do gibi, tornou-se a primeira adaptação de uma HQ a levar troféus principais no Emmy .
O "Watchmen" original, de Alan Moore e Dave Gibbons, acompanha justiceiros que, num mundo alternativo, ajudaram o Exército americano a vencer a Guerra do Vietnã .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.