Entenda como El Niño pode sobrecarregar o coração e causar complicações
O avanço do El Niño , caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano pacífico Equatorial, traz um alerta para além das condições meteorológicas.
O fenômeno impulsiona episódios de temperaturas elevadas, baixa umidade e queimadas em diversas regiões.
O cenário de estresse térmico exige um esforço suplementar do organismo para tentar dissipar o calor e manter a temperatura corporal estabilizada, o que pode sobrecarregar órgãos vitais como o coração e o cérebro.
Leia Mais Exames de sangue podem ajudar no diagnóstico precoce de câncer colorretal Braço direito mais forte que o esquerdo? Assimetria muscular chama atenção durante treinos Setembro Amarelo: cuidado com a saúde mental deve começar nos sinais invisíveis que antecedem à depressão Por que o calor extremo sobrecarrega o coração? Para esfriar o corpo diante de temperaturas altas, o organismo promove a vasodilatação e aumenta a circulação de sangue na pele, além de intensificar a produção de suor.
O mecanismo força o coração a trabalhar mais, o que acelera os batimentos para conseguir manter a pressão arterial adequada.
No entanto, a transpiração excessiva sem a devida reposição provoca a perda de água e de eletrólitos essenciais , como sódio e potássio.
O processo resulta em desidratação e hemoconcentração (quando o sangue se torna mais denso devido à redução do volume circulante), além de alterar a atividade elétrica do miocárdio.
“Quando a temperatura sobe, o coração precisa trabalhar mais justamente em um momento em que a desidratação pode reduzir o volume circulante.
Por conta disso, a perda de eletrólitos pode favorecer alterações do ritmo cardíaco”, explica o médico Nilton Carneiro, cardiologista do Hospital Santa Catarina – Paulista.
A combinação entre vasodilatação, aumento da frequência cardíaca e sangue mais denso eleva significativamente a demanda por oxigênio no músculo cardíaco .
Em indivíduos com condições pré-existentes, como a aterosclerose, o desequilíbrio eleva o risco de episódios agudos , incluindo arritmias, taquicardia, desmaios e infarto do miocárdio.
A médica Julianny Freitas, cardiologista da Casa de Saúde São José, ressalta que o aumento de atendimentos médicos relacionados ao calor excessivo é notável.
“O coração precisa trabalhar mais para manter a circulação quando o corpo está desidratado, gerando um estado de sobrecarga no órgão”, pontua a médica.
Exaustão por calor X Intermação Os efeitos da exposição severa ao calor podem se manifestar em diferentes níveis de gravidade como a exaustão por calor e a intermação.
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