Cientistas criam relógio ultrapreciso para redefinir medição do tempo no mundo
Cientistas do Centro de Tecnologias Quânticas da Universidade Nacional de Cingapura desenvolveram um novo relógio atômico baseado no elemento químico Lutécio (Lu) que atingiu o maior nível de precisão já registrado.
O estudo, publicado na revista Nature , revelou um sistema capaz de medir o tempo com exatidão até a 19ª casa decimal.
A inovação posiciona a tecnologia como uma das principais candidatas para redefinir formalmente a duração exata de um segundo no Sistema Internacional de Unidades a partir de 2030.
Os relógios atômicos medem o tempo a partir das oscilações de elétrons em átomos disparadas por feixes de laser, operando como pêndulos invisíveis e incrivelmente rápidos.
Embora os modelos tradicionais de césio venham definindo o tempo global desde os anos 1960 — sustentando redes de comunicação, transportes e sistemas de GPS —, os novos relógios ópticos utilizam elementos que oscilam muito mais rápido.
A equipe de Cingapura apostou no Lutécio por descobrir que esse elemento é praticamente imune a interferências externas, como mudanças de temperatura e campos magnéticos.
Segundo os pesquisadores, o dispositivo manteria sua estabilidade mesmo se fosse levado do local mais quente do planeta, no Vale da Morte, ao mais frio, no planalto da Antártida.
Para provar que o equipamento funciona sem erros, os cientistas construíram dois relógios idênticos e compararam o funcionamento de ambos ao longo de 200 horas de testes.
Essa foi a comparação entre relógios mais precisa já realizada na história da ciência.
“Existe um ditado bem-humorado que diz: ‘Quem tem um relógio sabe que horas são; quem tem dois nunca tem certeza'”, comentou o doutor Kyle Arnold, um dos autores do estudo.
“Isso mostra que a única forma de testar a precisão de um padrão é comparar dois relógios e demonstrar que eles funcionam de forma idêntica”.
O líder da pesquisa, professor Murray Barrett, afirmou ter convicção de que criaram o relógio mais exato do mundo e que a conquista dificilmente será superada.
Além de marcar as horas, a extrema sensibilidade do aparelho permite detectar como a gravidade desacelera a passagem do tempo em diferenças de altitude de apenas milímetros.
Essa capacidade abre portas para mapear o formato da Terra com precisão inédita e testar teorias fundamentais da física, como a busca pela matéria escura.
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