Agiota da "montanha de dinheiro" pagava de influencer com pacote de bondade
Sapatos confortáveis, bermuda, sem camisa e a barriga proeminente à mostra.
A figura rotineira de Adailton Fernandes de Oliveira , conhecido popularmente como “Dazin”, parecia a de um pacato morador de interior.
Contudo, por trás da simplicidade aparente e do carisma ensaiado nas redes sociais, ocultava-se a rotina de um dos líderes mais implacáveis de uma organização criminosa especializada em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro .
Com atuação ramificada pelo Distrito Federal, Goiás e Tocantins, “Dazin” construiu uma rotina dupla: enquanto estrangulava financeiramente devedores e ostentava fortunas no ambiente privado, cultivava publicamente a imagem de um “padrinho dos pobres” no município de Mimoso (GO).
Ele e outros 11 alvos foram presos por equipes da Coordenação de Repressão a Crimes Patrimoniais (Corpatri), da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) .
As investigações foram conduzidas por investigadores da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS).
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Para além do luxo privado e da ostentação de notas contadas às dúzias, o cotidiano de Dazin na pacata cidade de Mimoso englobava o cumprimento de uma minuciosa “agenda de benfeitorias”.
Pessoas ouvidas pela reportagem confirmaram que Adailton pretendia ingressar na vida política e, para conquistar a simpatia local, mantinha a rotina de oferecer o que apelidou de um verdadeiro “pacote de bondade”.
Bingo gratuito Nas redes sociais, Dazin informava aos moradores da cidade goiana que realizaria eventos beneficentes , como bingos com cartelas inteiramente gratuitas cujo prêmio principal era uma motocicleta zero-quilômetro.
Em outros registros, o homem aparece cumprimentando e abraçando populares enquanto distribui, de forma gratuita, sacos de carne fresca e garrafas de leite para famílias da região.
Essa estratégia de assistencialismo financiada pelo crime servia para blindar sua imagem pública e criar uma rede de apoio na comunidade.
A generosidade forjada em Mimoso, contudo, repousava sobre uma engrenagem de violência psicológica e opressão no DF.
O contraponto do “pacote de bondades” era sentido por devedores encurralados por juros abusivos de até 20% ao mês.
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