Ultradireita cresce, mas deve ficar fora de governos estaduais na Alemanha
Ultradireita cresce, mas deve ficar fora de governos estaduais na Alemanha - AfD se torna a legenda mais votada em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, porém, não deve conseguir apoio para formar governo. Em Berlim, votação fica abaixo da expectativa da sigla.O partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) conseguiu ampliar os votos nas eleições estaduais realizadas neste domingo (20/09) no nordeste da Alemanha e na capital, Berlim, mas provavelmente continuará na oposição em ambos os estados.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD se tornou a legenda mais votada, com 38,3% dos votos, segundo resultados provisórios das autoridades locais. A sigla ficou ligeiramente à frente do Partido Social-Democrata (SPD), da atual governadora Manuela Schwesig.
"Recebemos claramente o mandato para governar", afirmou copresidente da AfD, Tino Chrupalla, à emissora pública ARD após a divulgação das pesquisas de boca de urna. Segundo ele, a AfD está aberta a negociar com todos os partidos. O líder da legenda também pediu a renúncia do chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz. "Isso seria realmente um alívio para este país."
Também nas eleições em Berlim, a AfD cresceu, mas ficou bem abaixo das próprias expectativas. O partido conquistou 16,3% dos votos e não atingiu seu objetivo de se tornar a principal força política da capital alemã.
Como conservadora União Democrata Cristã (CDU), do atual chanceler federal, sofreu perdas expressivas em ambas as eleições, a copresidente da AfD, Alice Weidel, já vê seu partido como sucessor da CDU. "Somos o novo partido popular da Alemanha", afirmou Weidel, em entrevista à emissora pública.
Ela criticou a postura de forte distanciamento da CDU em relação à AfD sob a liderança de Friedrich Merz. A legenda conservadora, assim como os demais partidos alemães, rejeitam categoricamente uma coalizão com a ultradireita.
Weidel não explicou como poderiam ocorrer, na prática, as negociações da AfD com outras legendas após os resultados eleitorais. Sobretudo após a vitória expressiva da AfD no estado da Saxônia-Anhalt, há duas semanas, ficou evidente a dificuldade do partido em encontrar parceiros para formar um governo.
Na eleição, a AfD por pouco não conquistou a maioria absoluta das cadeiras na Assembleia Legislativa, o que lhe permitiria eleger sozinha o governador. Nas negociações para a formação de uma maioria parlamentar, até o momento nenhum partido parece disposto a integrar uma coalizão com a AfD.
O candidato a governador da AfD na Saxônia-Anhalt, Ulrich Siegmund, havia deixado claro que pretendia liderar apenas um governo estável da sigla. Ele descartou a possibilidade de um governo minoritário do partido. Durante a campanha, foi ainda mais longe ao declarar repetidamente que só desejava governar em um governo formado exclusivamente pela AfD.
Desde então, permanece incerto qual é exatamente a estratégia da AfD. As declarações da direção nacional do partido indicam, contudo, um forte interesse na formação de governos liderados pela legenda.
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