'Memórias que tenho do meu irmão são de amor', diz Bruno Gagliasso sobre rompimento familiar por política
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Bruno Gagliasso se considera um cara inquieto, que gosta de viver intensamente. Esse desassossego, diz ele, explica em parte o seu envolvimento em muitos projetos ao mesmo tempo. O ator lançou neste mês dois filmes —" Honestino" nos cinemas, e "Corrida dos Bichos" no streaming— e tem mais outras tantas produções em desenvolvimento ou já prontas para apresentar ao público entre o fim deste ano e o início do próximo.
"Calhou também de sair tudo junto. O cinema tem isso. A gente filma às vezes por dois, três anos, fica um ano fora de cena, e quando vem, vem tudo junto", afirma. "Mas tô feliz. Tenho muito prazer no meu ofício", diz ele em conversa com a coluna na Soho House , misto de hotel-boutique e clube exclusivo localizado na Bela Vista, onde o ator costuma se hospedar quando está em São Paulo.
Na conversa de quase uma hora, ele diz gostar também de se envolver com todo o processo dos filmes. "Sou o tipo de ator que levo o personagem para casa. Não sei decorar meu texto, gravar e ir embora. Não sou assim."
Por causa dessa característica, revela que muitas vezes o trabalho acaba interferindo na sua vida pessoal. Quando fez o delegado racista e torturador de "Marighella" , conta que ficou longe da família porque estava um "pouco ríspido e grosseiro". "Preferi me afastar. É o meu processo. Não posso lutar contra isso."
Em "Por um Fio" , que deve chegar à telona no próximo ano, aconteceu situação semelhante. Na trama, baseada no livro homônimo do médico e colunista da Folha Drauzio Varella , Bruno interpreta o oncologista Paulo. O papel é inspirado em Fernando, irmão de Drauzio que morreu de câncer aos 44 anos.
Durante as gravações, Bruno diz que ficava muito emocionado porque o personagem tinha duas filhas e isso o fazia lembrar dos próprios filhos —o ator é pai de Titi, 13 anos, Bless, 11, e Zyan, 6, frutos do seu relacionamento com Giovanna Ewbank . "Eu falava com eles e chorava. Fiquei em São Paulo o tempo inteiro [das filmagens]. Nem voltei para casa [no Rio] para não ficar vendo eles."
Bruno afirma que o filme também mexeu com ele por se tratar de uma "história de amor entre dois irmãos" na época do surgimento do SUS . Na vida real, o ator não fala com o seu irmão, o deputado estadual e candidato a deputado federal Thiago Gagliasso ( PL ). Os dois romperam a relação por divergências políticas. Bruno é apoiador de Lula ( PT ) e diz esperar que o atual presidente se reeleja. Já Thiago é bolsonarista.
O ator afirma que escolher fazer esse longa foi uma forma de se expressar, de "botar para fora" os sentimentos desse distanciamento. "As memórias afetivas que tenho do meu irmão, de criança, da adolescência, são de amor e são as mais lindas possíveis. E são elas que quero preservar e guardar, principalmente em ano eleitoral."
Bruno diz achar "muito difícil" que eles possam em algum momento retomar um relacionamento por pensarem muito diferente.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.