Às vésperas da eleição, Copom evita firmar compromissos em momento incerto
A fotografia sacada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do momento da economia ainda revela um cenário “caracterizado por significativo aumento da incerteza”, segundo o comunicado da decisão de juros de quarta-feira (16).
E apesar de mudanças relevantes nas últimas seis semanas, o colegiado de diretores do BC (Banco Central) praticamente repetiu o comunicado da reunião anterior , de agosto, ao cortar os juros em 0,25 ponto na quarta, levando a Selic a 13,75% .
Mudanças sutis foram notadas, que revelam um panorama “mais construtivo no diagnóstico da inflação e mais preciso na leitura de desaceleração da atividade, porém ainda cauteloso nas projeções de médio prazo”, segundo Beto Saadia, economista-chefe da Nomos.
Em agosto, o Copom escreveu que a atividade apresentava “sinais mistos”, ou seja, alguns setores desaceleravam e outros não.
Agora, o discurso foi mais direcionado, afirmando que os dados já “mostram” essa desaceleração, e não apenas a “sugerem”.
Além disso, aponta quem está sofrendo: os setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
Porém, de agosto para cá, o petróleo subiu fortemente, enquanto a inflação corrente surpreendeu para baixo e os indicadores de atividade reforçaram com maior clareza os sinais de desaceleração.
A opção por manter a análise praticamente inalterada pode indicar que o Banco Central prefere não recalibrar agora sua comunicação diante de um cenário que poderá mudar novamente até a próxima reunião: o Copom voltará a decidir os juros nos dias 3 e 4 de novembro , depois dos dois turnos da eleição presidencial.
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Eu aposto mais um corte na última reunião do ano, depois que passar o pleito, justamente com a licença poética de não querer interferir”, pondera Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos.
Sobre a decisão de quarta, o mercado vê o BC tomando uma decisão baseada no que ele tem de informação sobre o cenário econômico, deixando para o pós-eleição o rescaldo do pleito na economia.
O que importa para a autoridade monetária é se a eleição será uma variável capaz de alterar drasticamente o resultado de seus modelos, avalia Marco Antonio Caruso, head de Macroeconomia do Santander.
Como o quadro ainda não está definido, Caruso vê o BC mantendo todas as cartas sobre a mesa, uma vez que a autarquia só vai descobrir o resultado em si e os efeitos da eleição na economia em sua próxima reunião.
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