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Isolamento e fome desesperam moradores de cidade ucraniana

O Antagonista ·
Isolamento e fome desesperam moradores de cidade ucraniana

Sem comida há mais de três meses, população de Oleshky enfrenta inverno sob risco de minas e falta de negociação entre Kiev e Moscou

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Aproximadamente 6 mil pessoas , entre elas 180 crianças , permanecem isoladas em Oleshky , cidade da região de Kherson, na Ucrânia, sob controle russo desde fevereiro de 2022. A localidade não recebe de alimentos desde o fim de maio, segundo a chefe da administração militar ucraniana do município, Tetjana Hasanenko, que atua a partir de território controlado por Kiev.

Moradores relatam refeições reduzidas a sopas improvisadas com restos de hortaliças e à ausência quase total de eletricidade, gás e combustível às vésperas do frio.

De acordo com Hasanenko, o quadro piorou a partir de dezembro de 2025 , quando a neve encobriu minas espalhadas pelas ruas e os moradores passaram a esvaziar porões alagados em busca de conservas remanescentes da enchente provocada pelo rompimento da barragem de Kakhovka, em junho de 2023. “ A situação é crítica. Não é passar fome: é fome coletiva ” , afirma a funcionária.

Uma moradora identificada apenas como Halyna, nome fictício adotado por motivos de segurança, descreveu à reportagem da Deutsche Welle sua alimentação diária: “ A melhor coisa que tenho para comer é um pão achatado feito de água e farinha , pois ainda tenho um pouco disso. Passo um purê de maçã por cima e tomo um chá sem açúcar. É só isso” . Ela afirma não se lembrar de ter comido carne desde o Ano Novo.

Sem gás ou eletricidade, a água é retirada de poços, e a circulação nas ruas ocorre apenas entre 7h e 9h , quando os moradores se reúnem em uma praça para trocar ou vender produtos de hortas e estoques. Halyna relatou que abobrinhas eram negociadas a mil rublos o quilo (cerca de R$ 60) , enquanto um saco de farinha chegou a ser oferecido por 200 mil rublos.

A rota que antes permitia a saída de moradores , via aldeias de Radensk e Tarasivka até Skadovsk, tornou-se perigosa após ataques de drones contra os veículos que faziam o trajeto. Segundo Halyna, ambulâncias substituíram os micro-ônibus na função, mas deixaram de circular havia um mês e meio, depois que uma viagem resultou na morte de um motorista. “ Você sai de casa e pode morrer no caminho ” , disse, mencionando duas mulheres mortas enquanto buscavam alimentos.

A falta de documentos também compromete a retirada de parte da população : muitos moradores perderam passaportes russos ou ucranianos em incêndios ou na inundação de 2023 e não conseguem sacar benefícios sociais depositados em contas bancárias.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.

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