Mulher recebeu um enorme arranjo de flores em casa sem cartão nem explicação, passou o dia tentando descobrir quem havia enviado e só entendeu o erro quando encontrou uma pequena etiqueta escondida entre as folhas
Alice abriu o portão pouco antes das dez e encontrou um entregador com um arranjo de flores tão grande que mal passava pela entrada. Ele confirmou o número da casa, entregou a peça e saiu antes que ela procurasse um cartão. Não havia bilhete entre as flores nem indicação visível de quem enviara. Alice colocou o arranjo na mesa e olhou de novo para o calendário. Não era aniversário, não havia comemoração marcada e ninguém tinha mencionado uma surpresa. A manhã começou com um presente bonito e uma pergunta que foi ocupando o resto do dia: quem havia pensado nela daquela forma?
Parecia um presente porque fora entregue diretamente no seu portão e tinha acabamento cuidadoso. Alice conferiu as flores, a fita e a base, esperando encontrar um envelope preso em algum ponto. Não viu nada. O entregador havia perguntado apenas pelo número, e ela, surpreendida pelo tamanho, não pensou em pedir o nome do destinatário. A falta de cartão criou espaço para várias hipóteses antes que a possibilidade de um erro de endereço ganhasse importância.
Ela fotografou o arranjo e enviou a imagem a duas pessoas próximas, perguntando se tinham mandado alguma coisa. As respostas vieram negativas. Uma delas sugeriu que o cartão poderia ter caído no caminho. Alice voltou ao portão e olhou a calçada, sem encontrar papel algum. Como não havia embalagem com logotipo visível, não sabia a quem telefonar. A entrega parecia concluída, mas faltava justamente a informação que transformaria as flores em um presente identificável.
Chamou atenção a composição do arranjo: as flores tinham uma combinação muito uniforme, e a base parecia feita para ficar num ponto específico, não apenas para decorar uma mesa doméstica. Alice pesquisou arranjos e buquês oferecidos por floriculturas, tentando reconhecer algum acabamento e encontrar um contato. Não publicou a imagem com seu endereço nem pediu que desconhecidos fossem até a casa. A dúvida ainda parecia pessoal, e ela preferiu começar pelas pessoas que poderiam ter enviado.
Na hora do almoço, continuava sem resposta. Pensou em um agradecimento antigo, numa encomenda feita com antecedência ou numa surpresa que alguém não queria revelar. As hipóteses explicavam a ausência de cartão, mas não explicavam o tamanho e a forma da base. Alice manteve o arranjo longe do sol e esperou. O trabalho da tarde a fez interromper a busca, embora os olhos voltassem para a mesa sempre que ela passava pela sala.
A etiqueta estava presa na parte interna da base, escondida entre folhas que cobriam o acabamento. Alice a encontrou no meio da tarde, quando moveu o arranjo para limpar a água que havia escorrido. Não era um cartão de remetente. Trazia um código de entrega, um telefone, uma indicação de cerimônia e um endereço parecido com o seu. O número começava e terminava da mesma forma, mas os dois algarismos do meio estavam invertidos.
Ela conferiu o número da própria casa e olhou de novo para o papel. A pista não sugeria um presente secreto, mas uma peça entregue no lugar errado. Também havia um horário previsto para uso naquela noite.
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