Filhas de sobrevivente do nazismo processam Museu de Auschwitz
Herdeiras de Dina Babbitt pedem na Justiça dos EUA a devolução de sete retratos de prisioneiros romas pintados sob ordem de Josef Mengele
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR As duas filhas da artista Dina Gottliebova Babbitt ajuizaram uma ação para reaver sete aquarelas que a mãe pintou em Auschwitz-Birkenau , em 1944, por ordem do médico nazista Josef Mengele .
O processo foi protocolado no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Central da Califórnia e tem como alvo o museu instalado no antigo campo , na Polônia. As obras estão no acervo da instituição desde as décadas de 1960 e 1970, e o museu recusa devolvê-las .
Dina nasceu na antiga Tchecoslováquia, em 1923, e deixou os estudos de arte em 1939, após a invasão alemã. Em janeiro de 1942, foi enviada com a mãe ao campo de Terezín , no norte do país. No ano seguinte, as duas foram levadas a Auschwitz.
No campo, passou a pintar a pedido de uma prisioneira responsável por um alojamento infantil, que queria imagens de Branca de Neve e os Sete Anões e desenhos de animais. Usava tintas obtidas de forma clandestina .
O trabalho chegou ao conhecimento de Mengele . De acordo com a ação, o médico determinou que ela retratasse em aquarela prisioneiros escolhidos por ele para seus estudos. Ele buscava registrar traços que associava, sem respaldo científico, a uma suposta inferioridade racial .
Em entrevistas, Dina disse ter aceitado com uma condição: que ela e a mãe fossem poupadas das câmaras de gás . Os prisioneiros retratados foram mortos no campo. Ao menos seis das sete pinturas foram assinadas e datadas a lápis, em 1944, como “Dinah 1944” , a grafia original do nome dela.
Segundo documentos apresentados no processo, a artista criou simpatia pelas pessoas que pintou e via nas obras a razão de sua sobrevivência e da existência de seus descendentes : “Todos existem hoje por causa dessas pinturas” , afirmou Babbitt, segundo a ação .
Após a libertação de Auschwitz, Dina mudou-se para os Estados Unidos e trabalhou por quase duas décadas como assistente de animação em Hollywood, em personagens como Wile E. Coyote , Piu-Piu e Patolino .
Em 1973, viajou ao museu para autenticar as pinturas , na expectativa de recebê-las de volta. Conforme o processo, a instituição mostrou os trabalhos, fez perguntas e pediu que ela confirmasse a autoria, mas a mandou para casa sem as aquarelas.
Segundo a ação, o museu chegou a sustentar que as obras poderiam pertencer a Mengele , e um funcionário teria dito que apenas o médico poderia reivindicá-las juridicamente.
Ela recorreu por anos a autoridades americanas. Segundo as filhas, houve tentativas diplomáticas por meio de cartas ao governo polonês e ao museu , sem devolução das obras. Em vídeo de 2009, poucos meses antes de morrer, aos 86 anos, afirmou: “Quero segurá-las nas minhas mãos” . E acrescentou: “Quero que estejam aqui. Preciso delas” .
Michele Babbitt Kane e Karin Wendy Babbitt recorreram a uma mudança na legislação da Califórnia .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.