Filme de André Novais Oliveira com Conceição Evaristo lota sessão em Brasília
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Cerca de 50 pessoas ainda formavam uma fila do lado de fora do Cine Brasília quando a sessão de "Se Eu Fosse Vivo… Vivia", de André Novais Oliveira , já havia começado na noite de quinta-feira (17). Com os ingressos esgotados e os 619 lugares da sala ocupados, elas esperavam para saber se haveria desistências depois da exibição do curta que antecedia o longa.
No fim, ninguém ficou de fora. Parte do público entrou e se sentou no chão para acompanhar a estreia brasileira do quarto longa do cineasta mineiro, o filme mais concorrido desta edição do Festival de Brasília .
O interesse repetiu o que já havia acontecido em fevereiro, quando o filme teve sua estreia mundial na mostra Panorama do Festival de Berlim, onde também teve sessões cheias .
Há pelo menos dois chamarizes evidentes. Um é Novais, diretor de "Temporada" , "Ela Volta na Quinta" e "O Dia que Te Conheci" e um dos principais nomes de uma geração do cinema mineiro. O outro é a escritora Conceição Evaristo, de 79 anos, que faz no longa sua estreia como atriz .
"Se Eu Fosse Vivo… Vivia" acompanha Gilberto e Jacira, um casal de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, ao longo de cinco décadas. Na juventude, eles são interpretados por Jean Paulo Campos e Tainá Evaristo —sobrinha da escritora. Já idosos, ganham os rostos de Norberto Novais Oliveira, pai do diretor e presença recorrente em seus filmes, e Conceição.
A aparente simplicidade da premissa, no entanto, engana. O filme começa próximo do registro cotidiano e familiar pelo qual Novais ficou conhecido, mas aos poucos se desloca para o realismo fantástico e chega à ficção científica.
Quando Jacira adoece e é hospitalizada, Gilberto passa a viver acontecimentos que não consegue compreender. Tempo e espaço deixam de funcionar de maneira convencional, enquanto o filme transforma a experiência do luto em algo progressivamente estranho.
Essa passagem do cotidiano para a fabulação não surgiu agora no cinema de Novais. O diretor aponta como antecedente o curta "Quintal", exibido no próprio Festival de Brasília em 2015. Feito logo depois de "Ela Volta na Quinta" , o filme lhe permitiu escapar de uma classificação que começava a acompanhar seu trabalho, a de um cinema híbrido, entre ficção e documentário.
"Eu sempre considerei as coisas que eu faço dentro da Filmes de Plástico como ficção. Mesmo com um pezinho ali no documentário, eu sempre decupei, sempre pensei o filme como uma ficção", diz.
Novais conta que já se interessava pela literatura fantástica, em especial pelos contos do mineiro Murilo Rubião . "Fazer ‘Quintal’ foi um certo alívio", afirma. Ele se recorda de uma observação do crítico Juliano Gomes, segundo a qual, naquele momento, parecia haver para muitos a ideia de que o cinema negro não tinha "direito de fabular".
"‘Quintal’ brinca muito com isso, de ter a coisa naturalista, do realismo, e de repente vir algo fantástico, que causa uma certa estranheza.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.