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Cachê de Jim Caviezel como Bolsonaro próximo ao de Joaquin Phoenix em 'Coringa': os valores pedidos por Flávio a Vorcaro para fazer 'Dark Horse'

Por Redação 5News · · com informações de BBC News Brasil
Cachê de Jim Caviezel como Bolsonaro próximo ao de Joaquin Phoenix em 'Coringa': os valores pedidos por Flávio a Vorcaro para fazer 'Dark Horse'

Investigação da PF revela cachê milionário de ator americano para interpretar Bolsonaro em 'Dark Horse'

Documentos liberados pelo Supremo Tribunal Federal nesta semana expõem detalhes financeiros do filme Dark Horse, produção que investiga possíveis irregularidades em seu financiamento. A Polícia Federal obteve acesso a planilhas orçamentárias que revelam quanto a produção previa gastar com seu protagonista, o ator americano Jim Caviezel, para viver o ex-presidente Jair Bolsonaro nas telas.

De acordo com esses registros, o valor estabelecido para o trabalho de Caviezel chegaria a quatro milhões de dólares, equivalente a aproximadamente vinte milhões e quatrocentos mil reais segundo a cotação vigente. Esse montante coloca o cachê do intérprete em patamar próximo ao de produções de grande orçamento internacionais, gerando questionamentos sobre a compatibilidade dos gastos com o padrão observado no segmento audiovisual brasileiro.

A publicação desses dados ocorreu na noite de sexta-feira, dia onze de setembro, mediante decisão do ministro André Mendonça, seguindo determinação do presidente do Supremo, Edson Fachin, de abrir os documentos relacionados ao caso. A Procuradoria-Geral da República havia solicitado essa divulgação, que integra um conjunto mais amplo de inquéritos envolvendo operações do Banco Master.

Os números e a estrutura do financiamento

A planilha de custos previstos para Dark Horse detalha diferentes categorias de despesas. O cachê de Caviezel aparece dividido em duas parcelas de dois milhões de dólares cada, identificadas como "talento principal parte um" e "talento principal parte dois". O termo talento, tradução literal do vocábulo inglês talent, representa na linguagem da indústria cinematográfica uma designação para artistas. A qualificação como talento principal aponta para o protagonista da obra.

Embora os registros orçamentários estejam disponíveis, o documento não confirma se os pagamentos foram efetivamente realizados ou qual foi o dispêndio final. Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, indicam que do total de vinte e quatro milhões de dólares, ou cento e vinte e três milhões de reais, solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, ao menos doze milhões e trezentos mil dólares, correspondentes a sessenta e três milhões de reais, chegaram a ser efetivamente transferidos.

Vorcaro funcionava como fonte de financiamento para a produção. Flávio Bolsonaro, que articulava a operação, teria negociado os valores e condições com o banqueiro. A magnitude dos recursos movimentados chama atenção pela escala envolvida em uma produção cinematográfica que permanecia, até a liberação desses documentos, com poucos detalhes públicos sobre seu orçamento real.

Comparação com o mercado audiovisual internacional

A Polícia Federal, em seu relatório investigativo, aponta o descompasso entre os montantes alocados para Dark Horse e aqueles praticados no setor audiovisual brasileiro. Embora o documento reconheça que essa disparidade não constitua, por si só, uma infração penal, enfatiza que reforça a necessidade de investigação mais profunda acerca de para onde os recursos foram efetivamente direcionados e se a operação financeira fazia sentido sob perspectiva econômica.

O valor do cachê de Caviezel, de quatro milhões de dólares, situa-se em faixa comparável à de produções hollywoodianas de grande envergadura. Joaquin Phoenix, por exemplo, recebeu cachê na ordem de grandeza semelhante para seu trabalho em Coringa, filme que é referência internacional em termos de investimento. Esse paralelo ilustra por que as autoridades questionam se os custos de Dark Horse guardam proporção com o padrão de produções nacionais.

O segmento audiovisual brasileiro opera com orçamentos substancialmente menores em comparação com o cinema americano. As produções locais, mesmo aquelas de maior destaque, habitualmente apresentam custos totais significativamente inferiores ao montante movimentado na operação envolvendo Dark Horse. Isso adiciona camadas de complexidade à investigação, uma vez que levanta indagações sobre se os recursos estariam sendo utilizados conforme alegado.

A resposta do diretor e a questão do marketing

Cyrus Nowrasteh, diretor de Dark Horse, utilizou a plataforma X, anteriormente conhecida como Twitter, para oferecer uma explicação sobre os custos da produção. Segundo sua manifestação, a comparação que a imprensa brasileira vinha realizando continha uma falha metodológica fundamental. Nowrasteh argumentou que nos Estados Unidos os orçamentos de cinema são divulgados excluindo despesas de marketing e distribuição, ao passo que o valor de Dark Horse mencionado na cobertura jornalística englobaria essas categorias.

Na visão do diretor, comparar um orçamento que inclui produção e atividades de promoção com custos que contemplem apenas a produção configuraria, simplemente, um erro na análise. Essa é uma argumentação que existe no mercado cinematográfico internacional, onde custos de produção e custos de divulgação são frequentemente separados nas análises públicas.

Contudo, os documentos da Polícia Federal revelam um ponto relevante nesse debate. A planilha de custos apresentada a Daniel Vorcaro, aquela a qual a investigação federal teve acesso, não registra despesas de distribuição ou marketing. Essa ausência sugere que os valores listados, incluindo o cachê de Caviezel, referem-se especificamente aos custos de produção, não englobando as atividades promocionais que o diretor menciona.

Contexto da investigação e dos envolvidos

A investigação da Polícia Federal insere-se em contexto mais amplo de apuração de operações financeiras envolvendo o Banco Master, instituição que ganhou relevância nos últimos anos devido a investigações relacionadas a movimentações atípicas de recursos. O banco havia sido objeto de escrutínio anterior, o que tornou suas operações alvo de atenção das autoridades de controle.

Flávio Bolsonaro, senador que articulou a operação de financiamento, é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que seria retratado no filme Dark Horse. O envolvimento de figura política tão próxima ao personagem retratado adicionou dimensões particulares à investigação, uma vez que suscita questões sobre motivações por trás da operação e estrutura dos gastos previstos.

Dark Horse apresentava-se como uma produção de envergadura destinada a levar à tela a narrativa política do ex-presidente. A presença de um ator de projeção internacional como Caviezel, que possui histórico em produções religioso-políticas de alcance considerável, sugeria ambições de escala para o projeto.

Daniel Vorcaro, o banqueiro que forneceu os recursos, operava como intermediário financeiro nessa estrutura. Embora seja figura menos conhecida publicamente comparado aos políticos envolvidos, sua disponibilidade de recursos em montante tão expressivo e a disposição de transferi-los para um projeto dessa natureza tornaram-no peça central na operação investigada.

O que acompanhar

Conforme indicado nos próprios documentos da investigação, desdobramentos futuros devem abranger aprofundamento das apurações quanto à destinação final dos recursos e à verificação se a operação financeira possui sustentação econômica. A Polícia Federal sinalizou que seus trabalhos prosseguem nessa direção, buscando esclarecer se os valores foram empregados conforme declarado e se apresentam compatibilidade com padrões de mercado.

Outro ponto a acompanhar relaciona-se à efetivação ou não dos pagamentos descritos na planilha. Embora o Coaf indique que pelo menos parte dos recursos foi transferida, permanece em investigação se o valor total previsto chegou a ser desembolsado ou se sofreu alterações. As respostas aos questionamentos formais dirigidos à assessoria de Flávio Bolsonaro, à produtora Go Up Entertainment e aos representantes de Jim Caviezel também constituem elementos que devem vir à tona conforme a investigação avança.

A possibilidade de que outros documentos e registros financeiros venham a ser divulgados nos próximos períodos também merece acompanhamento, particularmente considerando que a decisão do Supremo de tornar públicos os inquéritos do Banco Master pode resultar em novas revelações que complementem o quadro até agora conhecido sobre Dark Horse e suas operações.

Principais pontos:
• Planilha orçamentária revela cachê de quatro milhões de dólares previsto para Jim Caviezel interpretar Bolsonaro
• Valor total solicitado por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro chegou a vinte e quatro milhões de dólares
• Polícia Federal identifica descompasso entre os gastos de Dark Horse e padrão do mercado audiovisual brasileiro
• Documentos liberados pelo STF questionam a compatibilidade econômica da operação financeira investigada

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Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de BBC News Brasil — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bbc.com — o conteúdo pertence a BBC News Brasil.

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