Cacique Raoni recebe cuidados paliativos após confirmação de câncer
O Instituto Raoni informou hoje que o cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, enfrenta um câncer no aparelho digestório e segue recebendo cuidados paliativos. Segundo a nota, o líder indígena recebe acompanhamento médico e assistência domiciliar na cidade de Peixoto de Azevedo, em Mato Grosso.
Raoni passou por uma sequência de internações entre os meses de maio e julho deste ano. A confirmação do câncer ocorreu em 20 de junho, segundo o instituto, quando ele foi submetido a uma gastroenteroanastomose por videolaparoscopia. "Em linguagem simples, o procedimento criou uma nova passagem no sistema digestivo para permitir que os alimentos contornassem a região que estava obstruída pela tumoraçã"o.
No final de julho, ele voltou a apresentar complicações de saúde. Segundo o comunicado, o cacique sofreu uma hemorragia digestiva grave e foi novamente internado no Hospital Regional de Peixoto de Azevedo. O sangramento foi tratado com medidas clínicas, medicamentos e transfusões de sangue.
O líder indígena já possuía outros problemas de saúde antes do diagnóstico . A idade avançada e essas condições dificultam a adoção de tratamentos com objetivo curativo. Cuidados paliativos são uma abordagem voltada a aliviar sintomas e sofrimento e melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças graves, sem necessariamente buscar a cura. "A prioridade é garantir que Raoni possa receber os cuidados necessários com segurança, conforto e dignidade", informa a nota.
O comunicado também destaca a dimensão espiritual das escolhas feitas por Raoni. "Os cuidados paliativos buscam garantir não apenas assistência médica, mas também condições para que Raoni permaneça próximo de sua família, de seu povo, de sua língua e de suas referências culturais e espirituais, com respeito à presença dos pajés e às práticas escolhidas por ele e por seus familiares".
O cacique Raoni Metuktire é uma das principais lideranças indígenas do Brasil e uma figura reconhecida internacionalmente na luta pela proteção dos povos originários e da Amazônia. Ele é uma das lideranças dos kayapó, povo indígena que vive em diferentes territórios na Amazônia brasileira.
Com o característico disco labial e o cocar de penas amarelas, Raoni se tornou um dos símbolos da resistência indígena no país. Há décadas, ele denuncia ameaças aos povos amazônicos, como o avanço do desmatamento, da exploração ilegal de recursos naturais e de atividades que afetam os territórios indígenas.
Ao longo de sua trajetória, o cacique percorreu cerca de 20 países para participar de encontros com autoridades, organizações e lideranças políticas e defender a proteção da floresta e a demarcação das terras indígenas. Sua atuação também o aproximou de personalidades internacionais e ajudou a levar as reivindicações dos povos indígenas brasileiros para fora do país.
A trajetória de Raoni ganhou projeção internacional especialmente a partir dos anos 1980, quando ele passou a viajar pelo mundo ao lado do cantor britânico Sting.
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