"Dark Horse": O que muda com o fim do sigilo por Flávio Dino
"Dark Horse": O que muda com o fim do sigilo por Flávio Dino - Investigação sobre financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro apura desvios de verbas públicas, organização criminosa e até envolvimento do PCC. Decisão inclui material apreendido junto a produtora do filme.O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino tomou outra decisão neste domingo (13/09) que aumentou ainda mais as suspeitas de desvios de recursos no financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A medida determina o levantamento do sigilo de 5 mil páginas de apurações feitas pela Polícia Civil de São Paulo após uma operação, em junho, que agora passam a integrar formalmente a investigação conduzida por Dino no STF sobre o suposto desvio de emendas parlamentares para a Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse. Além disso, Dino insta à Polícia Civil de SP o compartilhamento de todos os documentos, celulares e computadores apreendidos na operação de junho com a Polícia Federal.
Na última quinta-feira (10/09), uma outra operação sobre o Dark Horse, conduzida pela PF, foi autorizada por Flávio Dino. A ação realizou mandados de busca e apreensão em endereços de entidades e pessoas investigadas, entre os quais estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama, que preside a Go Up. Frias, que também é roteirista e produtor-executivo do filme, teria repassado R$ 2 milhões em emendas parlamentares à ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) controlada por Gama. A suspeita é que os valores tenham sido desviados para a produção do filme. Frias, ex-secretário especial de Cultura sob Bolsonaro, e Gama negam as acusações.
Na decisão de domingo, Dino afirma que o material recebido da Justiça de São Paulo confirma a tese de que os dois procedimentos apuram a mesma estrutura criminosa. O ministro afirma, no despacho, que o acervo da operação de junho fortalece a hipótese de uma "imbricação indissociável" num mesmo esquema de destinação e desvio de recursos públicos.
O financiamento de Dark Horse também é alvo de outro inquérito no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. O processo investiga os repasses de cerca de R$ 60 milhões por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Conversas entre Flávio Bolsonaro, senador e candidato à presidência, e Vorcaro, peça-chave de uma das maiores fraudes financeiras da história do país, revelaram pedidos do filho de Jair Bolsonaro para o depósito dos valores pelo ex-controlador do Master, que está preso preventivamente. O caso Master vem causando uma crise sem precedentes no STF, com os ministros Mendonça e Alexandre de Moraes se acusando mutuamente.
Enquanto Dino investiga suspeitos desvios de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares e verbas ligadas à Prefeitura de São Paulo, o inquérito sob relatoria de Mendonça apura a origem do financiamento privado do filme.
O principal efeito prático da decisão de domingo é a incorporação definitiva da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo ao inquérito que tramita sob a relatoria de Flávio Dino no STF.
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