PF pediu aval de Mendonça para obter repasses de Vorcaro a pessoas com foro
Em março deste ano, a PF (Polícia Federal) enviou ofício ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), pedindo que ele autorizasse o acesso da corporação aos pagamentos feitos por Daniel Vorcaro, do Banco Master, e outros investigados a pessoas com foro privilegiado.
Até o momento, não há registro de que o ministro tenha dado esse aval.
A informação consta em uma das peças tornadas públicas pelo ministro nesta segunda-feira (14), após determinação do presidente da Corte, Edson Fachin.
A petição, assinada por um dos delegados que conduz a investigação, comunica o ministro de que, com objetivo de dar andamento às apurações do Caso Master e rastrear a possível movimentação de dinheiro ilícito por parte de Vorcaro e outros alvos das apurações, a PF solicitou ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a disponibilização de RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) das pessoas investigadas.
Segundo o delegado, porém, o Coaf atendeu somente a parte do pedido.
Isso porque, ao analisar os relatórios, o conselho identificou movimentações financeiras entre pessoas investigadas e autoridades que teriam foro privilegiado.
Assim, o Coaf afirmou que só poderia enviar os dados com autorização expressa do STF.
Ele solicita então que o ministro interceda diante do Coaf e dê essa autorização: “Com efeito, a cautela do COAF em não compartilhar automaticamente dados que envolvam autoridades com foro por prerrogativa de função alinha-se ao respeito às regras de competência jurisdicional.
Todavia, considerando que a presente investigação criminal já tramita regularmente perante este Supremo Tribunal Federal, o juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência”, afirma.
Mendonça não respondeu.
Ao realizar o pedido, a PF anexa no processo a resposta parcial que recebeu do Coaf.
Nele é possível encontrar movimentações financeiras dos investigados no Caso Master.
Dentre os destaques, está a movimentação de mais de R$ 57 milhões da Igreja Batista da Lagoinha entre dezembro de 2024 e de 2025.
A instituição foi alvo de apuração na CPMI do INSS e de suspeitas de desvio de emendas parlamentares.
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