“Crise no STF não será resolvida antes da eleição”, avalia jurista à CNN
O Supremo Tribunal Federal vive, de acordo com o jurista e professor de direito da FGV, Oscar Vilhena , a maior crise de sua história.
A avaliação foi feita em entrevista ao CNN 360º desta quarta-feira (16), no dia seguinte à sessão que terminou sem qualquer definição sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes.
Para Vilhena, o que torna a atual situação inédita é o fato de se tratar de uma crise interna.
“Não é uma crise das agressões que, ao longo da história, o Supremo sempre recebeu de setores autoritários”, afirmou o jurista.
Apesar do cenário preocupante, Vilhena defendeu que é possível, ao menos, dar um encaminhamento à crise antes das eleições .
“Não acho que a crise será resolvida antes da eleição, mas tem que ter um encaminhamento.
Isso é que é o importante”, declarou.
Para ele, é fundamental que se defina como e por quem as denúncias serão investigadas, de modo a preservar a autonomia do eleitor no momento do voto.
Vox Radar: 34% dos internautas questionam posturas de ministros na sessão Crise aumenta desgaste de Mendonça, mas rejeição a Moraes segue maior Análise: Brasil tenta entender que peso terá o STF na eleição Sobre os impactos da divisão interna do STF sobre a democracia brasileira, especialmente em ano eleitoral, ele citou como exemplo a postura da corte norte-americana durante o atual governo de Donald Trump.
“Você tem um governo particularmente desrespeitoso à regra constitucional e uma corte muito acanhada, alinhada ao governo.
Isso permite uma escalada de atos que colocam a democracia em risco, ou, ao menos, amesquinhada”, explicou o professor.
Ele citou outros exemplos internacionais para ilustrar o argumento: “Isso aconteceu na Venezuela, na Rússia, na Polônia, na Hungria, na Índia.
Onde as supremas cortes se fragilizam, elas facilitam a ascensão de líderes autoritários e facilitam a autocratização dos regimes.” Para o jurista, o Brasil contou com uma corte robusta que resistiu a ataques autoritários , incluindo os questionamentos às urnas eletrônicas e a tentativa de golpe do 8 de janeiro.
“No momento em que a corte se fragiliza, é muito ruim, porque ela fica vulnerável, ela pode ser atacada, e muitas vezes atacada com razão, do ponto de vista da sua credibilidade “, afirmou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.