Lula trata os EUA à moda Trump
Washington fica muito longe de Brasília, a 6.800 quilômetros. Mas a Casa Branca nunca esteve tão próxima de uma eleição brasileira. Ao acionar a Lei da Reciprocidade em reação ao tarifaço, Lula passou a tratar os Estados Unidos à moda Trump: politizou de vez a agenda comercial. Lula elevou o tom às vésperas do megacomício de estreia de sua campanha, no domingo, em São Bernardo.
O Planalto reiterou em nota que as tarifas contra exportações brasileiras são "injustificadas e arbitrárias". Seguindo o rito da Lei da Reciprocidade, o Itamaraty informou aos americanos sobre o início do processo. E convidou o governo Trump para "consultas diplomáticas" — um derradeiro aceno à negociação.
O processo é longo. Deve ser concluído apenas depois da eleição. Inclui consultas ao setor privado antes da elaboração da lista de retaliações. Durante a discussão, a eventual imposição de taxas para produtos e serviços importados dos Estados Unidos pode ser revista, adiada ou suspensa.
O objetivo de Lula não é retaliar, mas escrachar a presença de Trump e do secretário de Estado americano Marco Rubio no palanque de Flávio Bolsonaro. Em termos comerciais, vale o que disse Geraldo Alckmin no mês passado: "Olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos". Nessa linha, a reciprocidade serviria para forçar a negociação — fazer a omelete de um bom acordo sem quebrar os ovos.
O problema é que, sob Trump, a Casa Branca se tornou uma espécie de hospício dirigido por um louco. Suas reações tornaram-se tão imprevisíveis que ficaram fáceis de prever. O Brasil pode levar a pior mesmo estando certo.
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