Falha no Smart Sampa deixa 58 mil câmeras de vigilância acessíveis por 11 meses
Um repositório público na internet guardou, por 11 meses, os logins e as senhas do maior sistema de vigilância pública da América Latina.
O Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, teve mais de 58 mil câmeras acessíveis a qualquer pessoa, segundo reportagem do Uol.
A exposição incluiu imagens de bebês em creches, crianças em escolas e pacientes em hospitais.
O Uol localizou os dados e conseguiu entrar na plataforma com as credenciais.
Após ser alertada pela reportagem, a prefeitura retirou o material do repositório.
O que ficou exposto Segundo o Uol, o repositório continha 181 logins e senhas de usuários autorizados, dados de mais de 6 mil agentes de segurança e instruções para reproduzir o Smart Sampa em qualquer computador ou celular.
A plataforma também não exigia verificação em duas etapas.
A medida só foi adotada depois do questionamento da reportagem.
O que diz a prefeitura A Prefeitura de São Paulo afirma que “não há nenhuma fragilidade nos mecanismos de segurança da plataforma do Programa Smart Sampa”.
Para a gestão municipal, houve um vazamento ilegal de dados por parte de um servidor, entre os mais de 7,5 mil agentes de segurança que usam o sistema.
Segundo a prefeitura, o servidor foi identificado e afastado, e a conduta é investigada pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana.
Risco para a segurança pública O professor Rafael Alcadipani , da Fundação Getulio Vargas e especialista em segurança pública, afirma ao Uol que a exposição é um problema de segurança nacional.
“Consigo saber onde as autoridades estão, onde as viaturas estão, onde os equipamentos de defesa da cidade estão se deslocando”, diz.
Alcadipani observa que a estrutura criada para enfrentar o crime poderia, em tese, ser usada pelo crime contra o Estado.
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