Por que a Rússia precisa de mais soldados norte-coreanos
Kiev afirma que a Coreia do Norte planeja enviar até 50 mil combatentes para lutar ao lado de Moscou. Novo destacamento renderia experiência valiosa ao regime de Kim Jong-un.A Coreia do Norte planeja enviar até 50 mil soldados para lutar na Ucrânia ao lado da Rússia, segundo o presidente ucraniano Volodimir Zelenski.
No fim de julho, Zelenski disse que a Rússia pretendia trazer mais 30 mil norte-coreanos. No fim de semana passado, ele acrescentou que Pyongyang decidiu ter entre 30 mil e 50 mil militares destacados no território russo, sem especificar se esse total inclui os soldados norte-coreanos que já participam do conflito.
Desta vez, Zelenski alertou que a Coreia do Norte está adquirindo uma valiosa experiência em guerra moderna e pediu à Coreia do Sul que amplie a cooperação com a Ucrânia nas áreas de defesa aérea e drones.
Dois dias depois, o líder ucraniano afirmou que a Rússia recebeu mais mísseis balísticos norte-coreanos, que teriam sido usados em um ataque contra Zaporíjia.
Rússia e Coreia do Norte assinaram um pacto de defesa em meados de 2024. Meses depois, Pyongyang começou a enviar tropas à Rússia.
Analistas acreditam que entre 14 mil e 15 mil militares foram destacados, principalmente para a região de Kursk.
Posteriormente, Pyongyang concordou em enviar mais 6 mil engenheiros militares e trabalhadores da construção militar. Segundo autoridades sul-coreanas e ucranianas, a Coreia do Norte também forneceu à Rússia milhões de projéteis de artilharia e mísseis balísticos.
A inteligência sul-coreana estima que cerca de 6 mil soldados norte-coreanos tenham sido mortos ou feridos.
Fontes ucranianas afirmam que até 50 mil soldados norte-coreanos poderão estar na Rússia até o fim de novembro. Eles assumiriam funções nas regiões russas de Kursk, Bryansk e Belgorod, liberando tropas russas para atuar na frente de combate na Ucrânia.
O parlamentar sul-coreano Yu Yong-weon diz que a cooperação militar entre Rússia e Coreia do Norte está se tornando cada vez mais estreita.
Yu é ex-jornalista especializado em assuntos militares e visitou a Ucrânia em 2025 e em fevereiro deste ano. Da última vez, disse ter ouvido relatos sobre o reforço norte-coreano. "Estou preocupado porque isso parece estar se tornando realidade", comenta.
Yu afirma que um contingente entre 30 mil e 50 mil soldados seria muito superior aos cerca de 20 mil militares e equipes de apoio envolvidos no primeiro destacamento.
"Resta saber se um envio adicional dessa magnitude realmente ocorrerá", diz. "Mas a expansão contínua da cooperação militar entre Pyongyang e Moscou exige uma atenção maior do governo e das Forças Armadas da Coreia do Sul."
"A Ucrânia inicialmente falou em 30 mil militares adicionais antes de elevar a estimativa para 50 mil, sem divulgar provas detalhadas sobre esse plano de mobilização", ressalta Han Ki-bum, ex-vice-diretor do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, em conversa com a DW.
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