MPT investiga caso de trabalhador rural desaparecido há mais de 20 anos na divisa de MT e PA
Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso MPT-MT O Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT) encaminhou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) informações sobre Antônio Carlos Godoi dos Santos, trabalhador rural de Tangará da Serra (MT), que desapareceu na região amazônica de Novo Progresso (PA), em 2003, para análise de possíveis violações de direitos humanos relacionadas à prestação de serviços na época.
A informação foi divulgada pelo TRT-MT nessa quarta-feira (12).
O Ofício nº 252/2026 solicita que o caso seja submetido à análise da Unidade de Monitoramento, Fiscalização e Implementação das Obrigações de Direitos Humanos do Trabalho do MPT (UMFDT).
O documento foi assinado pelo presidente do TRT-MT, desembargador Aguimar Peixoto, e encaminhado à procuradora-chefe do MPT, Thaylise Zaffani. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp O documento informa que o caso é objeto de uma reclamação trabalhista ajuizada em 2021 pela filha do trabalhador desaparecido na divisa com Mato Grosso.
Segundo o TRT-MT, os fatos ultrapassam o interesse individual da ação judicial.
Agora no g1 Os relatos reunidos no processo apontam que trabalhadores pobres e sem documentação eram aliciados por intermediários conhecidos como “gatos” e desapareciam ou morriam supostamente em acidentes de trabalho no momento em que deveriam receber seus pagamentos.
O ofício também registra que a documentação policial produzida à época do desaparecimento foi destruída em um incêndio considerado suspeito.
O documento ressalta ainda a possível ocorrência de grave violação de direitos humanos sem o adequado tratamento estatal.
Desaparecimento Antônio Carlos desapareceu em 2003, enquanto trabalhava como operador de trator em uma região marcada, segundo o processo trabalhista, por exploração ilegal de madeira, conflitos fundiários e violência.
Conforme apurado no processo, a própria cooperativa para a qual o trabalhador prestava serviços registrou um boletim de ocorrência acusando-o de furtar o trator que operava.
Posteriormente, o inquérito desapareceu da delegacia.
Um relatório do Ministério Público do Pará (MP-PA), elaborado em 2005, apontou que o trabalhador teria morrido durante o serviço, após uma falsa acusação de furto, sem que uma nova investigação fosse conduzida.
A declaração de morte presumida de Antônio Carlos só foi proferida em 2021, em uma ação na Justiça Comum.
No mesmo ano, a filha do trabalhador, que na época do desaparecimento do pai tinha 6 anos de idade, ajuizou uma reclamação na Justiça do Trabalho.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Mato Grosso.