Vou morrer, e os rios de São Paulo continuarão poluídos
Paulo Vieira, do Jornalistas que Correm, fala tudo sobre corrida –mesmo aquilo que você não deveria saber
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Outro dia me dei conta de que não viverei para ver limpos os dois grandes rios que cruzam São Paulo.
Faltam 21 anos para eu cruzar a terceira margem, considerando-se a idade média de morte das pessoas da minha região, segundo o Mapa da Desigualdade da ONG Rede Nossa São Paulo.
Planos para despoluir o Tietê e seu principal afluente na capital, o Pinheiros , pulularam nas últimas cinco décadas. Muito dinheiro foi enterrado nisso, inclusive para rebaixar a calha do Tietê e minorar o problema das inundações.
Em 2021, o TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) divulgou que apenas nos dez anos anteriores àquela data haviam sido investidos R$ 3,6 bi (valores de 2021) em programas de despoluição.
No caso do Pinheiros, estamos dando há tempos com as capivaras n’água. Segundo medições mensais do programa Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica, o Pinheiros manteve, de agosto de 2021 a agosto de 2025, nível "péssimo" de qualidade de água , o pior conceito possível, com a exceção solitária de outubro de 2022, quando evoluiu para "ruim".
O negócio, contudo, não é insolúvel, como mostraram as experiências recentes de Seul, Boston, Londres, Madri e Paris.
Segundo Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da SOS Mata Atlântica, daria para resolver o problema em, quem sabe, 15 anos. "Seria preciso começar com o básico, levar saneamento para quem não tem", disse à coluna.
O Pinheiros, que em boa parte de sua margem leste tem o metro quadrado mais valorizado de São Paulo, foi objeto de atenção especialíssima do governador João Doria (2019-2022). Seguindo a previsível cartilha do político que ele dizia não ser, chegou a prometer entregá-lo limpo até o final de 2022 .
(De brinde, para deleite talvez de alguns atores do mercado imobiliário, a Usina da Traição se tornaria a "Puerto Madero paulistana", em referência à região portuária revitalizada e gentrificada de Buenos Aires.)
Numa entrevista à revista Poder, que Deus a tenha, Doria falou que a despoluição do Pinheiros seria um de seus "três legados" quando deixasse o Bandeirantes. Enquanto isso não acontecia, publicava em suas redes sociais fotos dos raros peixes que apareciam na água.
Veronesi não vê evolução no programa sob o governo atual. O coordenador entende que, "se não houve retrocesso, houve estagnação". E afirma que, desde que a companhia de saneamento Sabesp foi privatizada, em 2024, parou a comunicação das providências de despoluição do Pinheiros.
A pedido da coluna, a Sabesp informou que, em 2023, havia cerca de 1,36 milhão de domicílios conectados a redes de esgoto na área do Pinheiros e de seus afluentes. Desde então, até junho passado, 125.700 novos domicílios foram incorporados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.