Alternância no poder
Quem pretende se manter no poder, bom democrata não é.
Somente os afeitos às ditaduras imaginam assim.
Quando Fidel Castro desceu a Sierra Maestra para implantar uma das mais longevas e sanguinárias ditaduras do mundo, ele sugeria que o que estava fazendo era em oposição à ditadura do então ditador Fulgêncio Batista, embora o seu propósito fosse o que acabou acontecendo: no caso, uma troca entre dois ditadores.
Aqui no Brasil, com pouquíssimas exceções, as nossas lideranças políticas se dizem democratas, contanto que os seus privilégios sejam estabelecidos e mantidos.
No passado, os chamados revolucionários se diziam perseguidos pelo regime, a exemplo do que presentemente está acontecendo no nosso país, pois os bolsonaristas de hoje se dizem perseguidos pelo governo que se encontra no poder.
Na verdade, o que está nos faltando, verdadeiramente, é a presença de democracia, seja para aqueles que se encontram encastelados no poder, seja para aqueles que se arvoram a dizer que são oposicionistas, independentemente dos acertos ou dos erros do governo.
A pretensão do presidente Lula em retornar à presidência da nossa República pela 4ª vez não condiz com as melhores práticas democráticas, menos ainda a pretensão do ex-presidente Jair Bolsonaro em indicar um dos seus filhos para presidente da nossa República, quando o mesmo se encontra inelegível e condenado sob a acusação de haver tramado um golpe de Estado.
Por que não uma alternância de poder aos moldes recomendados pela própria democracia? Lamentavelmente, o nosso sistema político, partidário e eleitoral precisa ser responsabilizado pelas sucessivas crises que já tivemos que enfrentar — em particular a presente, pois atingiu em cheio o nosso Poder Judiciário, especialmente o nosso Supremo Tribunal Federal (STF), a quem por último recorremos para arbitrar os nossos conflitos.
Nada poderia ser mais prejudicial à nossa democracia do que a radical polarização política que se encontra estabelecida no nosso país.
Isto precisa ser mudado, ainda que muito tardiamente, porém muito oportunamente.
Sendo assim, as nossas próximas eleições presidenciais serão de fundamental importância, do contrário iremos chegar ao ano de 2030 em uma situação ainda pior do que a que ora nos encontramos.
Se no nosso próximo jogo eleitoral as cartas já estão marcadas, urge que mudemos as suas regras.
Do contrário, a nossa democracia continuará sendo ameaçada, independentemente de quem venha a ser eleito presidente da nossa República.
Enfim, as nossas crises só irão se agigantar.
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