Cacique Raoni enfrenta câncer aos 94 anos e passa a receber cuidados paliativos
O Cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, uma das principais lideranças indígenas do Brasil e referência internacional na defesa da floresta, foi diagnosticado com câncer.
Após um ano de 2026 marcado por sucessivas internações e uma cirurgia de emergência em São Paulo, o líder Mẽbêngôkre (Kayapó) encontra-se agora sob cuidados paliativos contínuos em sua residência, em Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso.
As informações são do instituto que leva o seu nome .
Os problemas de saúde se agravaram em meados de junho, quando Raoni sofreu uma obstrução intestinal severa que o impedia de se alimentar.
Transferido às pressas em UTI aérea para o Hospital São Paulo, ele passou por uma cirurgia para criar uma nova passagem no sistema digestivo.
O procedimento não visava retirar o tumor, mas restaurar o trânsito intestinal e garantir conforto.
Exames posteriores confirmaram um “adenocarcinoma pouco diferenciado”, um tipo agressivo de câncer.
Devido à idade avançada e a um histórico clínico complexo, que inclui uso de marcapasso, insuficiência cardíaca, hipertensão e doença pulmonar, tratamentos curativos como quimioterapia ou cirurgias de grande porte foram descartados pelo alto risco de morte.
Cuidados paliativos e dimensão espiritual A equipe médica e a família optaram por focar na qualidade de vida do cacique.
O Instituto Raoni explica que a abordagem paliativa não significa abandono, mas a busca por controlar a dor, garantir dignidade, alimentação adequada e prevenção de complicações.
A decisão permitiu que ele voltasse para casa, cercado por sua língua e referências culturais.
A dimensão espiritual é tratada como parte essencial da recuperação.
O cuidado une a medicina ocidental à sabedoria indígena, criando um ambiente de “atenção intercultural e intermedicalidade”.
“Essa dimensão faz parte de sua própria trajetória.
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