O cheiro de 18 campos foi capturado em tubos e levado ao laboratório porque fungos e bactérias deixam assinaturas voláteis que podem denunciar a saúde do solo
Compostos produzidos por fungos se mostraram os mais sensíveis ao tipo de manejo agrícola aplicado ao campo
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR O que você vai ver Onde ficam os 18 campos estudados e como o cheiro do solo foi capturado. Quantos odores diferentes os pesquisadores conseguiram identificar. Que tipo de composto se mostrou mais sensível ao manejo agrícola do solo. Por que o cheiro consegue denunciar qual comunidade microbiana vive no solo. Para que serviria, na prática, um “nariz eletrônico” para solos. Pesquisadores holandeses capturaram o cheiro de 18 pastagens em tubos e levaram as amostras ao laboratório, na tentativa de provar que fungos e bactérias deixam assinaturas de odor capazes de denunciar a saúde biológica do solo sem depender de análises genéticas demoradas.
A pesquisadora Rosa Boone, da Radboud University, estudou 18 pastagens no Ooijpolder, perto da cidade de Nijmegen, nos Países Baixos, manejadas de formas diferentes pelos agricultores locais: algumas com manejo intensivo, usando mais fertilizante artificial, outras com manejo extensivo, sem insumos artificiais, e outras ainda em um meio-termo. Tubos grandes com furos foram instalados no solo para captar os odores, conectados a tubos menores ligados a uma bomba que puxava o ar e prendia os compostos para análise posterior em laboratório.
Ao todo, a equipe identificou 75 odores distintos vindos das amostras de solo, dos quais 16 se mostraram sensíveis ao tipo de manejo aplicado em cada campo: nove aumentaram de intensidade conforme o manejo se tornava mais extensivo, enquanto sete diminuíram sob as mesmas condições.
Entre os 16 odores que variaram conforme o tipo de manejo, os aldeídos, compostos produzidos majoritariamente por fungos, se destacaram como especialmente sensíveis às mudanças na forma como cada campo era cultivado, o que sugere que essa classe específica de molécula pode funcionar como um indicador particularmente confiável da atividade fúngica no solo.
Segundo a pesquisa, os odores capturados revelam quais espécies de fungos e bactérias estão presentes no solo, em que quantidade e o que essas espécies estão metabolizando naquele momento, já que mudanças no manejo agrícola alteram diretamente a composição dessas comunidades microbianas e, por consequência, o perfil de compostos voláteis que elas liberam para o ar.
A ideia por trás da pesquisa é desenvolver um sensor capaz de avaliar a vida microbiana do solo diretamente pelo cheiro, alternativa mais simples e rápida do que as análises de DNA feitas mensalmente, servindo tanto para agricultores que querem monitorar o efeito de práticas mais extensivas quanto para atender a futuras diretrizes de monitoramento de solo, embora esse equipamento ainda não exista e dependa de mais etapas de pesquisa.
Pesquisas que tentam substituir métodos de análise demorados por sinais mais simples também aparecem no relato sobre a enzima de abóbora que reduziu, mas não eliminou, a reação alérgica de proteínas do amendoim .
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do Phys.org .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.