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Flávio Bolsonaro confunde a vida pública com a privada

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Flávio Bolsonaro confunde a vida pública com a privada

Flávio Bolsonaro construiu um castelo no ar ao se aproximar de Daniel Vorcaro no escurinho. Foi morar nele ao gravar um áudio pedindo R$ 134 milhões ao mafioso que tinha um banco. A Polícia Federal cobra o aluguel. O país ficou sabendo na sexta-feira que a PF instaurou em 22 de julho inquérito para investigar o filho de Bolsonaro. Suspeita-se que tenha cometido pelo menos três crimes: lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

Neste sábado, menos de 24 horas depois de o Supremo levantar o sigilo do caso Master, Flávio Bolsonaro repetiu o mesmo lero-lero sobre a cinebiografia do pai: " Eu sempre disse que não tem absolutamente nada de errado nesse filme", vociferou, num comício em Cabo Frio, no Rio de Janeiro .

Língua em riste, o candidato prosseguiu: é " uma relação privada para um filme privado . Não tem nada de público . Então eu fico feliz que isso venha à tona". A retórica já soava desconexa. Tratar como privado o dinheiro que Vorcaro desviou de fundos de pensão de estados e municípios e do banco público de Brasília é um despautério. Com as luzes dos porões do inquérito acesas, a versão de Flávio consolida-se como uma ofensa à inteligência alheia.

Chama-se Havengate o fundo que recebeu o dinheiro que Flávio mordeu de Vorcaro. Numa tradução livre, haven significa refúgio. Gate é portão. O portal usado como esconderijo dos milhões enviados desde o Brasil fica no Texas. É gerido por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. Trata-se de um fundo imobiliário.

Relatório da PF informa que o Havengate ficou "inoperante" por quatro anos. Permaneceu "inerte" até receber, em fevereiro de 2025, a primeira remessa de Vorcaro: US$ 2 milhões. O dinheiro foi enviado por uma operadora chamada Entre Investimentos. Pertence a um personagem chamado Antonio Carlos Freixo Júnior. Conhecido como Mineiro, ele fechou um acordo de colaboração premiada. Esse acordo foi homologado na última terça-feira por André Mendonça, relator do caso do Master no Supremo.

Em sua delação, Mineiro disse ter feito sete transferências bancárias para o fundo Havengate no ano passado. Totalizaram US$ 12,3 milhões. No câmbio da época, isso corresponde a cerca de R$ 69 milhões.

Entre os papéis que vieram à luz com o levantamento do sigilo que encobria o escândalo, há uma manifestação da Procuradoria-Geral da República. O documento informa que a gestão dos recursos foi orientada por Eduardo Bolsonaro. Em mensagem apreendida pela PF, ele anotou: " O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo". Os investigadores suspeitam que parte da verba tenha financiado o autoexílio americano do filho do "mito" condenado por tentativa de golpe.

Contra esse pano de fundo tóxico, Flávio Bolsonaro talvez precisasse atualizar o discurso. Sob pena de transformar o aluguel que a PF cobra pela estadia no castelo construído no ar num passivo eleitoral. Confundir a vida pública com a privada não fica bem para um candidato ao Planalto.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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