O burburinho que circula no Tribunal Eleitoral do Rio sobre candidato flagrado com fuzil no carro
Com o início da campanha, a movimentação nos tribunais eleitorais ganha uma intensidade jamais vista em outras épocas do ano.
Os edifícios, acostumados ao fluxo pacato de gente, ficam agitados pelo vai e vem de togados e advogados.
Os homens da Justiça não escapam de um velho traço humano: a curiosidade.
Nos corredores do Tribunal Eleitoral do Rio de Janeiro, o assunto do momento é a candidatura do ex-prefeito Márcio Canella (União) a deputado estadual.
O mundo jurídico fluminense está de olhos abertos e ouvidos em pé para saber se a Justiça Eleitoral vai permitir ou não a empreitada política depois que ele foi preso em flagrante com um fuzil no carro em uma investigação da Polícia Federal .
Canella foi solto e agora circula com tornozeleira eletrônica.
Não há condenação que o impeça de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, com base na Lei da Ficha Limpa, mas o Ministério Público Eleitoral vem pedindo que candidatos suspeitos de ligação com o crime organizado sejam barrados das urnas.
Dois adversários entraram com representações no TRE exigindo a impugnação do registro de Canella, mas o MPE ainda não emitiu um parecer.
O ex-prefeito fez uma gestão bem avaliada em Belford Roxo, colégio eleitoral importante, e seria candidato ao Senado na chapa do PL com a benção de Antonio Rueda, presidente do seu partido, o União Brasil.
A crise de imagem gerada pela operação da PF, somada à mudança de rumos da federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, que desfez a aliança com o Partido Liberal, empurrou Canella para um voo mais modesto.
Mesmo a candidatura a deputado estadual é incerta, segundo apostam advogados com trânsito no TRE.
Em uma reunião com representantes dos partidos, o desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do Tribunal Eleitoral do Rio, prometeu pulso firme diante de suspeitas de envolvimento de candidatos com a criminalidade.
Uma força-tarefa foi criada na Corte para identificar casos em potencial.
Canella é investigado pela PF como braço político de um esquema bilionário que teria usado postos de combustíveis para lavar dinheiro.
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