Cúpula Rússia-África: entenda por que Moscou quer fortalecer seus laços com o continente
A terceira cúpula Rússia-África começa nesta quarta-feira (28) em Moscou, com a energia nuclear para fins civis entre os temas centrais das discussões. Para os países africanos, que enfrentam necessidades crescentes de eletricidade, a energia nuclear representa uma via para apoiar seu desenvolvimento industrial. Para Moscou, esses projetos constituem também um mercado de longo prazo e um meio de reforçar sua influência no continente.
Nas próximas 24 horas, a capital russa será palco de discussões e reuniões durante a terceira edição da cúpula, uma iniciativa do Kremlin, com um Vladimir Putin particularmente engajado. O evento reúne 22 chefes de Estado do continente africano, além de representantes de 48 países, bem como líderes empresariais, com o objetivo de desenvolver trocas comerciais.
Entre os temas na pauta está a energia nuclear para fins civis. A África tem uma grande necessidade no setor elétrico. Na África Subsaariana, por exemplo, apenas metade da população tem acesso à rede elétrica. Com o crescimento demográfico e o desenvolvimento industrial, a demanda tende a aumentar significativamente.
Os governos buscam, portanto, produzir mais eletricidade, diversificando ao mesmo tempo suas fontes de geração. Neste contexto, a energia nuclear apresenta vantagens : permite a produção de grandes quantidades de eletricidade de forma contínua, com baixas emissões de carbono.
Por isso, diversos países africanos demonstram interesse na tecnologia nuclear russa. Atualmente, o principal projeto de Moscou no continente está no Egito, onde quatro reatores estão em construção. Contudo, outros Estados também planejam desenvolver essa fonte de energia.
Todos esses esforços visam demonstrar o interesse da Rússia pela África e sua influência no continente . Paralelamente às discussões diplomáticas, o programa de negócios deve reunir cerca de 4 mil empresários russos e africanos de diversos setores, ao longo de cerca de quarenta eventos, segundo dados oficiais.
Além da questão energética, a edição deste ano também dá ênfase ao intercâmbio relacionado ao acesso a tecnologias. Inclusive, uma declaração sobre a cooperação na área de inteligência artificial deverá ser adotada ao final da cúpula, nesta quinta-feira (29).
A Rússia atrai os países africanos , em parte, por oferecer uma proposta diferenciada. Sua gigante estatal do setor nuclear, a Rosatom , não vende apenas usinas; ela também pode financiar a construção, fornecer o combustível, realizar a manutenção e treinar equipes locais. Em suma, Moscou oferece um ecossistema nuclear completo.
Para Estados que, por vezes, carecem de capital, essa proposta é um argumento de peso. O financiamento é, de fato, um dos principais obstáculos ao desenvolvimento de projetos nucleares, cujos custos podem chegar a dezenas de bilhões de dólares.
Para Moscou, contudo, o interesse também é estratégico. Uma usina nuclear estabelece uma relação comercial que perdura por várias décadas, podendo chegar a quase um século, se considerarmos todo o seu ciclo de vida.
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