Um futuro digno depende do fim da bancada do agronegócio
O inimigo está na surdina, pronto para dar o bote: a bancada ruralista está em campo para manter sua hegemonia no Congresso e avançar com sua agenda de destruição da legislação ambiental
É apresentador do Podcast Planeta A, geógrafo, mestrando em planejamento urbano com foco em clima, especialista em clima e políticas públicas, militante ecossocialista e criador de conteúdo socioambiental no @brunopeloclima →
Enquanto os holofotes da imprensa e a atenção geral se voltam obsessivamente para a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, uma engrenagem muito mais silenciosa, e infinitamente mais devastadora, continua operando sem questionamentos nos corredores de Brasília. A fratura exposta do Brasil moderno não se resume à polarização das urnas. O verdadeiro desafio estrutural atende por outro nome: a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que ocupa 60% das cadeiras do parlamento brasileiro (345 dos 594 deputados e senadores).
O discurso do setor tenta vender uma fantasia de modernidade e civismo, repetindo à exaustão que o agronegócio é o “motor da economia” e o “orgulho nacional”. No entanto, uma análise mais cuidadosa da atuação legislativa deste grupo revela um modelo predatório que tem usado a política e a terra para benefício próprio enquanto produz danos que afetam a todos nós: crise climática, degradação ambiental, o envenenamento dos nossos pratos de comida, o empobrecimento e a exaustão física da maioria da população .
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No campo das mudanças climáticas, a conta é matemática e assustadora. Enquanto a propaganda corporativa tenta responsabilizar hábitos individuais, o setor agropecuário responde por cerca de 75% de todas as emissões de gases de efeito estufa do Brasil, impulsionadas pelo desmatamento sistemático, pelas queimadas e pela pecuária extensiva (e as vacas, coitadas, não tem um pingo de culpa nisso).
Em um momento em que os eventos extremos se intensificam, transformando secas rigorosas e ondas de calor no novo normal, a bancada ruralista atua no Congresso como verdadeira patrocinadora das catástrofes que assolam nossas cidades, travando a agenda de transição ecológica e acelerando a destruição de biomas já comprometidos como a Amazônia e o Cerrado.
E quando a crise climática afeta as safras a FPA corre para apresentar projetos de renegociação de suas dívidas, diminuição de juros, abstenção de impostos e pressão por mais recursos públicos para subsidiar sua produção.
Levantamentos de dados cartográficos apontam que o Brasil possui impressionantes 176 milhões de hectares de propriedades privadas declaradas de forma ilegal dentro de terras públicas. Apenas na Amazônia, essa reportagem de ((o))eco revela que a grilagem já tomou quase 12 milhões de hectares de florestas públicas não destinadas. Em vez de coibir a usurpação do bem comum, a FPA atua para anistiar o roubo de terras e fragilizar órgãos de fiscalização ambiental como o IBAMA .
A profunda assimetria do acesso à terra no Brasil é a raiz histórica dessa concentração de poder.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oeco.org.br — o conteúdo pertence a O Eco.