Decisão de Alexandre de Moraes decreta antes e depois do jornalismo
Em 2006, exatos dez anos atrás, um juiz de primeira instância determinou a quebra do meu sigilo telefônico para descobrir quem era a minha fonte numa reportagem que revelou aumento patrimonial injustificado de um vice-presidente do Banco do Brasil.
A ordem ilegal poderia significar o fim da minha carreira como jornalista.
Quem mais teria coragem de me passar informações de forma confidencial a partir daquele momento? O sigilo da fonte está previsto na Constituição.
É uma garantia assegurada nas maiores democracias do mundo .
No meu caso, a repercussão foi tamanha que o juiz recuou.
Não fosse essa proteção, o Brasil não conheceria histórias como a compra, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena.
As atas das reuniões eram sigilosas e guardavam um dos segredos mais bem escondidos da República: o voto da então ministra de Minas e Energia Dilma Rousseff.
Apresentada ao eleitor como uma gestora, em contraponto à sua inexperiência política, Dilma deixou correr a versão de que havia votado contra a compra de uma refinaria micada, que causou à Petrobras um prejuízo financeiro superior a US$ 1 bilhão.
Os documentos aos quais tive acesso, por meio de fontes, revelaram que, na verdade, Dilma havia votado a favor.
O caso veio à tona quando a petista já ocupava a Presidência da República.
Diante dos documentos, não havia mais como mudar os fatos.
A presidente escreveu uma nota para mim confirmando seu voto e justificando que havia sido enganada por um diretor, àquela época completamente desconhecido: Nestor Cerveró.
O mesmo que depois protagonizou o esquema de corrupção na estatal desvendado pela Lava Jato.
A reportagem sobre a refinaria levou o Ministério Público Federal a denunciar 11 pessoas.
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