Novo recado dos EUA retoma pressão ao Brasil com tática da Doutrina Monroe
Os Estados Unidos voltaram a criticar a política brasileira contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) ao defender que o governo do Brasil adote medidas mais duras após a designação das facções como organizações terroristas. A ação é mais uma do governo de Donald Trump na tática de "domínio" sobre as políticas na América Latina.
O Departamento de Estado dos EUA divulgou um relatório assinado por Donald Trump sobre o combate global a cartéis de drogas e incluiu o Brasil entre os alvos de cobrança. No documento, Washington diz que o governo brasileiro não enfrentou PCC e CV, citados como organizações terroristas estrangeiras designadas pelos EUA.
A crítica dos EUA mira pressionar o Brasil a tratar PCC e CV como grupos a serem combatidos com ferramentas de contraterrorismo. Ao classificar as facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês), Washington amplia a base para sanções e ações para "negar financiamento e recursos" a quem for enquadrado como "narcoterrorista", como escreveu o secretário de Estado, Marco Rubio.
O relatório, divulgado pela colunista do UOL Mariana Sanches, afirma que PCC e CV transformaram o Brasil em um "centro para o fluxo global de cocaína". "Embora muitos governos do Hemisfério Ocidental estejam tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil não enfrentou as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína", diz o texto.
Washington também usa a cobrança ao Brasil como parte de uma estratégia política para aproximar aliados de direita na América Latina. No mesmo documento, Trump elogia governos alinhados aos EUA na região e cita Argentina, Equador e El Salvador como aliados no combate ao "narcoterrorismo".
Brasil é o país mais forte da América Latina que tem um líder considerado de esquerda. Com a eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia, Trump ganhou mais força na região, já que assim como Javier Milei, da Argentina, o líder colombiano costuma citar as políticas do presidente dos EUA como exemplo.
O governo Lula se opôs à designação e propôs parcerias de inteligência, mas não aderiu ao Escudo das Américas. Interlocutores do Planalto apontaram temor de que a classificação abrisse espaço para ações de força dos EUA na região, como bombardeios a embarcações no Caribe supostamente ligadas ao tráfico.
Os EUA dizem que a classificação de PCC e CV como narcoterroristas permite usar instrumentos financeiros e diplomáticos contra redes ligadas às facções. A medida abre caminho para o Tesouro americano sancionar empresas, fundos e bancos que tenham ligações com os grupos, o que o governo brasileiro apontou como risco para a soberania e para a economia.
Secretário de Estado americano, Marco Rubio já chegou a afirmar nas redes que PCC e CV têm alcance regional e chegam aos EUA. "O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil.
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